Teste Tesla Model 3 Performance

O carro do futuro já circula nas nossas estradas: discreto, confortável, espaçoso, rápido, minimalista, inteligente e, sobretudo, extremamente seguro, apenas peca por ser demasiado grande e caro!

autonews.pt @ 28-5-2019 21:26:57

Uma aceleração de 0-100 km/h em 3,4 segundos, uma velocidade máxima de 261 km/h, uma autonomia de 530 km e um preço de 69.700 euros para a versão base, são efectivamente um chamariz para qualquer automobilista habituado a julgar os automóveis pela ficha técnica.

Mais ainda se a isso juntarmos dados como os da potência: 487cv, do binário: 640Nm, e ainda uma tracção integral permanente, travões com discos ventilados e pneus de medidas 235/35-R20. E nem mesmo o peso substancial, longe de recordista, é muito maior do que se encontra noutros veículos da sua dimensão. No entanto, quem se sentar ao seu volante, vai rapidamente perceber que o Tesla Model 3 Performance é muito mais do que aquilo que os números possam fazer pensar.

Fruto de exigências aerodinâmicas, a estética exterior não é deslumbrante, mas o que é realmente fascinante nesta mais recente criação da marca americana fundada pelo génio Elon Musk não está à vista, antes escondido nos circuitos integrados dos processadores, dentro da célula das baterias e nos motores eléctricos instalados cada um no seu eixo.

Quem nunca conduziu um veículo eléctrico não tem a mínima ideia de quão fácil é conduzir o Tesla Model 3. Não há mudanças, nem embraiagem, nem travão de mão, e praticamente nem sequer é necessário olhar para os espelhos.

Pronto para condução autónoma nos Estados Unidos da América, na Europa os sistemas de vigilância servem apenas para potenciar a segurança. A espécie de radar complexo que controla toda a envolvência do veículo, resume no painel central as informações sobre a rodovia e sobre o trânsito em redor, identificando com suficiente antecedência e detalhe qualquer aproximação, pormenorizando até qual o tipo de veículo que se aproxima, representando-o graficamente relativamente à via. O sistema detecta até mesmo as motos e os peões.

Por outro lado, o “Cruise Control” também é inteligente, e revela-se um verdadeiro sonho para quem passa horas nas filas de trânsito. Depois de definir a velocidade máxima pretendida, o sistema fica alerta ao trânsito e, a uma distância que pode ser definida pelo condutor, o Tesla vai seguindo a viatura da frente, adaptando a velocidade e até mesmo parando, para evitar um eventual choque. Nem sequer é necessário travar, já que o sistema faz tudo sozinho. E quando a viatura da frente arrancar, o sistema retoma o andamento, sendo apenas necessário ir guiando o volante.


Em auto-estrada, o piloto automático mantém o Tesla centrado na sua faixa de rodagem, e também reduz automaticamente a velocidade, no caso de outra viatura mais lenta ficar ao alcance do radar, e caso se pretenda mudar de faixa, basta fazer pisca, esperar que o sistema verifique todos os ângulos e identifique potenciais perigos antes de, suavemente cumprir a tarefa sozinho, garantindo uma segurança que dificilmente os humanos são capazes de alcançar.

Mas além destas mordomias, o Tesla Model 3, sobretudo nesta versão Performance que tive agora oportunidade de testar, também se dá muito bem nas estradas de montanha. Com jantes maiores e pneus de especificações mais desportivas (Michelin Pilot Sport 4S), travões reforçados, suspensão rebaixada, spoiler traseiro em fibra de carbono, pedais em liga de alumínio e um modo “Track” (para circuito) que infelizmente estava indisponível nesta unidade de teste, está prontinho para qualquer picanço.

Provavelmente serão muito poucos os que terão aptidões de condução suficientes para encontrar qualquer debilidade em termos de performance e comportamento, e com um bom “kit de unhas”, dificilmente qualquer outro carro normal terá alguma hipótese.

Quem tiver coragem de abandonar o modo “Chill” e abraçar o modo “Sport”, fica imediatamente apaixonado pela aceleração proporcionada pela disponibilidade dos motores e pela tracção integral. A sensibilidade do volante também pode ser regulada, em 3 níveis, mostrando-se sempre muito directa e conferindo uma boa leitura da estrada.

A suspensão, bastante confortável por sinal, reage com muita dignidade às maiores solicitações, e apesar de se notar algum rolamento da carroceria, o centro de gravidade muito baixo, causado pelo facto de as baterias (o componente mais pesado do conjunto) estarem colocadas no lastro do chassis, ajuda a manter as 4 rodas bem coladas ao asfalto. Depois a electrónica trata do resto, corrigindo a derrapagem (segundo consta, em modo “Track” é mesmo possível ensaiar uns “Drifts”).

A travagem é forte, ajudada pelo sistema de regeneração de energia, que transforma os motores em travões eléctricos, e necessita de alguma habituação, mas nada de transcendental. Aparte, a intensidade da travagem regenerativa pode ser regulada em 3 modos, sendo o mais intrusivo o que mais custa a habituar, mas que evita que muitas vezes seja sequer necessário usar o travão convencional. 


Em termos de autonomia, e mesmo com uma condução bastante rápida, o Tesla não fica atrás de nenhum veículo de combustão interna, sendo o único óbice a questão do carregamento.

No entanto, e graças à rede de carregamento rápido da própria Tesla, esse problema está cada vez mais longe de interferir com o processo de compra, e já não faltará muito para os postos de abastecimento convencionais começarem a oferecer, também eles, serviços de carregamento rápido tanto para os Teslas como para todos os veículos eléctricos.

Num dos carregadores rápidos da marca consegue-se, em menos de 20 minutos, levar a carga da bateria dos 10% aos 50%,e em cerca de 40 minutos atingir os 80% de autonomia.

Em termos de consumo a Tesla anuncia, para este modelo, valores na ordem dos 15 kWh/100 km, a velocidades médias entre os 90 e os 100km/h, que corresponde a uma autonomia de mais de 500km. Durante o teste, os consumos registados foram bastante superiores, mas as velocidades também, e muitas vezes recorri ao viciante modo “Sport” sempre que a estrada me atirava algumas curvas.

Mas ainda assim (a menos que se esteja a tentar perder os pontos todos da carta de condução em apenas duas horas) a autonomia será sempre superior a 300 quilómetros, sendo fácil para um condutor calmo e bem treinado, conseguir valores superiores a 400km.

Não pretendo alongar muito este teste, até porque, parte verdade, parte mentira, muito já foi dito sobre este modelo. Mas há ainda alguns pontos que gostava de esclarecer.

O habitáculo é espartano, minimalista, fácil de limpar diria eu, com uma quase total ausência de botões, alavancas, interruptores ou manómetros. O ambiente é dominado pelo enorme “tablet” que interrompe o tablier, colocado praticamente ao centro, e pelo tejadilho panorâmico que confere uma luminosidade fantástica a bordo. A linha de cintura é suficientemente baixa para também potenciar a visibilidade, mesmo até nos assentos traseiros.

Alguns pormenores de acabamento podiam ser revistos, nomeadamente no que diz respeito ao alinhamento dos painéis da carroceria, e no encaixe de alguns componentes dos interiores. Alguns plásticos podiam ter melhor aspecto, e a pintura também não parece garantir uma longa duração, já que o modelo ensaiado, praticamente novo, já evidenciava alguns sinais de desgaste nas arestas mais vincadas.

No entanto, e apesar de ter procurado caminhos com mau piso, não registei ruídos parasitas, e o nível de isolamento acústico é muito bom, mesmo quando se circula em pisos calcetados. O fecho e abertura das portas não apresentam a “categoria” de outros modelos mais conceituados, mas funcionam sem problemas. A capacidade de carga é grande, suficiente para uma família em “road trip”, sem ser necessário economizar bagagem.

A posição de condução é excelente e bastante personalizável, o assento é envolvente e bastante ergonómico, proporcionando um bom encaixe, mesmo quando as forças “G” se fazem sentir com mais intensidade, e apenas encontrei um pormenor menos conseguido, na dimensão dos pilares A (os que ladeiam o pára brisas) que, por serem demasiado largos, roubam alguma visibilidade nas curvas, sobretudo para a esquerda, em estradas de montanha, mas apenas quando se pratica uma condução mais entusiasmada.

Estou convencido que, apesar de tudo, este Tesla Model 3 Performance vale bem os 75.100€ que tem na etiqueta, um pouco mais de 5.000 euros que a versão base, já que vem equipado com tudo aquilo a que os mais exigentes têm direito. Há automóveis muito mais caros que nem oferecem as mesmas prestações, nem o mesmo conforto, e muito menos a deliciosa experiência de sentir a velocidade... sem barulho!

autonews.pt @ 28-5-2019 21:26:57

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