O lucro líquido da Repsol alcançou os 1612 milhões de euros
A Repsol obteve em 2014 um benefício líquido de 1612 milhões de euros, apoiando-se na robustez do seu modelo de negócio integrado. Este resultado representa 724% de aumento em relação aos 195 milhões de euros registados em 2013, um exercício em que a companhia levou a cabo saneamentos extraordinários derivados da expropriação da YPF.
Imago @ 27-2-2015 16:29:52
O lucro líquido ajustado, que mede especificamente o desenvolvimento dos negócios, situou-se em 1707 milhões de euros, o que representa um incremento de 27% em relação ao ano anterior. Este resultado é especialmente significativo se tivermos em conta a complexidade do contexto, caraterizado especialmente pela abrupta queda dos preços internacionais do cru no segundo semestre do ano, com um efeito negativo no resultado líquido do exercício de 606 milhões de euros, e a interrupção da atividade na Líbia.
Ambos os fatores foram eficazmente compensados pelo início da produção de projetos estratégicos no Peru e no Brasil, e pelo excelente resultado da área de Downstream (Refinação, Química, Marketing, Trading, GPL e Gas&Power), que proporcionou um resultado de 1012 milhões de euros, devido sobretudo à eficiência das suas instalações de refinação e à sua capacidade técnica para a destilação de crus pesados.
Upstream: mais produção e novas descobertas
Na área de Upstream (Exploração e Produção), a companhia obteve um resultado de 589 milhões de euros, frente aos 980 obtidos em 2013, devido à interrupção da produção na Líbia e aos menores preços do cru, afetados pela brusca queda dos preços internacionais de referência durante a segunda metade do ano.
Neste contexto, a Repsol conseguiu aumentar a sua produção média durante o ano em 2,5%, alcançando os 354 500 barris equivalentes de petróleo por dia, cifra que inclui perto de 32000 barris equivalentes de petróleo por dia de nova produção, provenientes de projetos na Bolívia, Brasil, Peru, Rússia e EUA.
Com o arranque dos projetos de Kinteroni, no Peru, e do campo Sapinhoá, no Brasil, a companhia iniciou já a produção em sete dos dez projetos chave contemplados no seu “Plano Estratégico 2012-2016”.
Além disso, pelo quinto ano consecutivo a Repsol incorporou às suas reservas um volume de hidrocarbonetos superior ao que produziu, com um índice de substituição de 118% para o exercício. Na média dos três últimos anos, o índice de substituição encontra-se em torno aos 200%, situando-o entre os mais elevados do setor, e superando amplamente os objetivos estabelecidos no “Plano Estratégico 2012-2016”.
Durante o exercício, a Repsol continuou com a sua bem-sucedida campanha exploratória. A companhia realizou 12 descobertas nos 34 poços perfurados, o que representa uma percentagem de êxito exploratório de 35%, acima da média da indústria.
A companhia descobriu hidrocarbonetos no Brasil, Rússia, EUA, Bolívia e Trindade e Tobago, o que lhe permite prosseguir com a incorporação de recursos. Na Rússia realizaram-se duas descobertas que, segundo os cálculos do Ministério de Recursos Naturais e Meio Ambiente da Federação Russa, representam para a Repsol aproximadamente 240 milhões de barris de recursos recuperáveis.
No Golfo do México norte-americano destaca-se a descoberta de León, situada em águas ultraprofundas, e que revela um armazém líquido de petróleo de boa qualidade com mais de 150 metros de espessura. A esta descoberta soma-se um segundo poço de avaliação em Buckskin, a 50 quilómetros de León, também com resultados positivos.
No Brasil, durante o ano 2014 a Repsol aprovou o desenvolvimento de um dos grandes projetos de exploração em águas do pré-sal: o campo Lapa, com início da produção previsto para o próximo ano. Adicionalmente, iniciou-se a Fase III do projeto de gás de Margarita Huacaya, na Bolívia, que permitirá incrementar a sua produção até aos 18 milhões de metros cúbicos de gás diários, a partir de janeiro de 2016. Este projeto inclui a exploração do maior poço produtivo de gás da bacia subandina, perfurado e operado pela Repsol.
Downstream: o negócio de refinação entre os mais eficientes da Europa
O negócio de Downstream aumentou o seu resultado em 111%, alcançando os 1012 milhões de euros (calculado com base na avaliação dos inventários a custo de reposição (CCS)), principalmente pelo comportamento positivo das margens de Refinação e Química, impulsadas pelas medidas do seu Plano de Competitividade, assim como pelos maiores volumes comercializados e pelo incremento das margens de gás na América do Norte.
Os resultados do downstream continuam a demonstrar a qualidade dos ativos do Grupo, mais ainda após o arranque dos grandes projetos de investimento empreendidos em Cartagena e em Bilbau, que mantêm a Repsol na liderança face aos seus competidores europeus no que se refere às margens integradas de Refinação e Marketing. Neste sentido, a margem de refinação alcançou os 4,1 dólares por barril, frente aos 3,3 dólares por barril do exercício anterior.
No negócio de Gas&Power, o maior volume comercializado na América do Norte, junto com a contenção e redução de despesas, incrementou em 44% o resultado das operações durante o exercício, alcançando os 269 milhões de euros.
Fortaleza financeira
Ao fecho do exercício, a dívida do Grupo situava-se no seu mínimo histórico, 1935 milhões de euros que, junto com uma liquidez acumulada de 9844 milhões de euros, ofereceu à companhia uma posição privilegiada para enfrentar uma nova etapa de crescimento.
A situação financeira da Repsol viu-se reforçada pela bem-sucedida gestão da recuperação do valor da YPF, tanto através do acordo de compensação alcançado como na posterior monetização dos ativos recebidos, com a obtenção de 5000 milhões de dólares.
Após esta operação, a Repsol distribuiu entre os seus acionistas um dividendo extraordinário de 1 euro por ação, que somado ao dividendo ordinário, por um montante aproximado de outro euro por ação, significou um rendimento de 12,6%, a maior rentabilidade por dividendo entre as grandes empresas do setor na Europa. A rentabilidade total, incluindo o comportamento da ação, também foi a mais elevada entre as oito grandes empresas de petróleo e gás integradas da Europa.
A companhia reiterou a sua intenção de continuar com a sua política de "scrip dividend" como fórmula de remuneração aos acionistas.
Aquisição de Talisman Energy
A fortaleza dos negócios e da situação financeira do grupo Repsol permitiu realizar em dezembro de 2014 uma oferta de compra pela companhia petrolífera canadiana Talisman Energy, por um valor de 8300 milhões de dólares mais a dívida da companhia. A operação foi aprovada unanimemente pelo Conselho de Administração da Repsol e de Talisman, e posteriormente aceite de forma esmagadora (99%) pela Assembleia Geral de Acionistas de Talisman, que teve lugar na semana passada.
A operação de aquisição de Talisman Energy transformará a Repsol num grupo maior, mais equilibrado do ponto de vista de composição e localização geográfica dos seus ativos, e com um melhor desenvolvimento futuro. O Grupo resultante desta aquisição situar-se-á entre os maiores do mundo, e será mais competitivo, incrementando a sua diversificação geográfica e incorporando ativos que servirão como plataforma de criação de valor futuro.
A América do Norte converter-se-á numa região chave para a nova companhia, ao concentrar 58% do capital empregado na área de Upstream. Pela sua parte, a América Latina reduzirá o seu peso no Upstream até 22% do capital investido, frente aos 50% atuais.
Após a aprovação da operação pela Assembleia Geral de Acionistas de Talisman no passado dia 18 de fevereiro, a Repsol espera obter as licenças e autorizações regulatórias necessárias para concluir a transação durante o segundo trimestre de 2015.
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