O adeus da Citroën ao FIA WTCC após três títulos mundiais

Disputada no Qatar, a final do Campeonato FIA WTCC 2016 marcou, igualmente, o termo do programa da Citroën Racing nesta disciplina, evento onde a Citroën conquistou a sua 50ª vitória em três temporadas. Na sua despedida do desporto automóvel ao mais alto nível, Yvan Muller garantiu o 2º lugar do Campeonato do Mundo, atrás do seu colega de equipa José María López. A Citroën concluiu, assim, esta sua aventura nas pistas com 3 títulos consecutivos de Campeã do Mundo.

autonews.pt @ 28-11-2016 16:51:26

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Yvan Muller

Yvan Muller

Foi preciso esperar pelo início da tarde de sábado para que o Circuito Internacional de Losail começasse a animar-se com o programa do WTCC, que, sem a habitual sessão de reconhecimento, viu os pilotos lançarem-se diretamente para as Qualificações.

José María López desferiu, logo desde a Q1, um enorme golpe ao registar o melhor tempo em 1m59,788s, sendo um segundo mais rápido do que a sua pole position de 2015! Na Q2, Yvan Muller e Pechito López posicionaram-se de imediato nos dois primeiros lugares, antes de uma bandeira vermelha interromper a sessão. No reatar, López conseguiu baixar, de novo, a barreira dos 2 minutos, realizando o melhor tempo, na frente de Muller.

O desenrolar da Q3 revelou-se algo incaraterístico. Mehdi Bennani, o primeiro a ir para a pista, estabeleceu o tempo de referência, para, logo a seguir, Norbert Michelisz sair de pista, provocando uma longa interrupção da sessão. Uma vez reiniciada, Yvan Muller e José María López pareciam bem lançados nas suas tentativas, mas ambos fizeram o mesmo erro na mesma curva! Os décimos de segundo perdidos traduziram-se no 3º melhor tempo para o argentino e no 4º para o francês, pelo que foi Bennani quem assinou a 31ª pole position do Citroën C-Elysée WTCC!

Minutos mais tarde, a equipa SLR fazia alinhar os seus três pilotos para representar a Citroën na Qualificação MAC3. Sem cometerem erros, Bennani, Chilton e Demoustier garantiram o máximo de pontos para o Campeoonato de Construtores.

A partida para a corrida de abertura foi dada pelas 21h20, quando a noite tinha há muito caído no Médio Oriente. Com o 10º melhor tempo na qualificação, Tom Chilton ocupava a pole position na greha invertida, com Gabriele Tarquini a seu lado. Quando os semáforos se apagaram, Chilton assumiu o comando, enquanto Yvan Muller subiu ao 5º lugar. No meio do pelotão, as coisas não correram tão bem a José María López, empurrado por Tiago Monteiro. O português ficou na escapatória e o safety car entrou em cena, antes da corrida se ver interrompida pela bandeira vermelha. Uma vez a pista limpa, a corrida foi reatada, com Tom Chilton a alargar a trajetória na primeira curva e Tarquini a aproveitar para o passar! Um pouco mais atrás, Yvan Muller ganhou uma posição e ascendeu ao 4º lugar. A bandeira de xadrez viu Tarquini vencer a corrida de abertura, na frente de Chilton, Huff e Muller. Após uma bela recuperação, Pechito López classificou-se em 9º lugar.

O repair time permitiu aos mecânicos repararem as carroçarias antes da derradeira corrida do ano. Na partida, Mehdi Bennani aproveitou a sua pole position para fazer na frente a primeira curva, à frente de José María López! Logo atrás vinha Thed Björk, com Yvan Muller a conservar o seu 4º lugar.

Mas uma vez mais o pelotão se mostrou algo turbulento e o safety car regressou à pista após somente uma volta. Algumas gotas de chuva começaram a molhar os para-brisas, mas nada que parecesse indicar a necessidade de colocar pneus de chuva. Pouco após o reatar da corrida, Yvan Muller perdeu o seu 4º lugar ao seu passado, de forma viril, por Norbert Michelisz. Algumas voltas mais tarde, foi a vez de Pechito López conceder uma posição a Björk. Bennani, Björk, López, Micheliaz, Muller: a ordem parecia estabelecida até ao final da corrida. Contudo, a algumas curvas do fim, Tiago Monteiro levou a melhor sobre o seu rival e amigo Yvan Muller. O essencial estava, porém, feito para Yvan, que colocou um ponto final na sua magnífica carreira, pontuada por 4 títulos mundiais no FIA WTCC e todos os recordes da disciplina. No seu regresso ao pit lane, foi longamente aplaudido pelos elementos da equipa Citroën Total. Os oilhos vermelhos traduziam toda a sentida por cada um, neste momento único na história do automóvel.


AS ESTATISTICAS DA CITROËN NO WTCC (2014-2016)

Citro¨€n Racing

Citro¨€n Racing

- 35 jornadas e 69 corridas disputadas

- 31 pole positions (89%): 21 para José María López, 8 para Yvan Muller e 1 para Sébastien Loeb e para Mehdi Bennani

- 308 partidas: 69 para José María López, 68 para Yvan Muller, 47 para Sébastien Loeb, 46 para Mehdi Bennani, 34 para Ma Qiing Hua, 22 para Tom Chilton e para Grégoire Demoustier

- 50 vitórias (70%): 21 para José María López, 11 para Yvan Muller, 6 para Sébastien Loeb, 2 para Ma Qing Hua e Mehdi Bennani e 1 para Tom Chilton

- 45 melhores voltas em corrida (65%): 26 para José María López, 8 para Yvan Muller, 7 para Sébastien Loeb, 2 para Ma Qing Hua e 1 para Mehdi Bennani e para Tom Chilton

- 119 pódios (57%): 47 para José María López, 34 para Yvan Muller, 20 para Sébastien Loeb, 8 para Ma Qing Hua, 5 para Mehdi Bennani e para Tom Chilton

- 246 chegadas no lugares pontuáveis (80%)

- 3736 pontos marcados no Campeonato do Mundo de Pilotos

- 3029 pontos marcados no Campeonato do Mundo de Construtores


O QUE ELES DISSERAM…

WTCC 2016

WTCC 2016

Yves Matton (Diretor da Citroën Racing): «Esta foi a última aparicção da ‘Armada Vermelha’ no FIA WTCC. Quero agradecer a cada um dos elementos da equip, pela sua dedicação, pelo seu permanente empenho e pela sua enorme vontade de levantar mais alto as cores da Citroën nesta disciplina que estávamos a descobrir. Retenho dois números para ilustrar os pontos fortes da Citroën Racing: 89% das ‘pole positions’ e 72% das vitórias em 3 temporadas. Agradeço, igualmente, ao José María López e ao Yvan Muller. Tive a sorte de trabalhar com estes grandes Campeões, que são também grandes Homens. Não posso deixar de pensar no Sébastien Loeb e no Ma Qing Hua, para os juntar a este grupo, no que significará para mim uma enorme aventura humana.»

José María López (Citroën C-Elysée WTCC No. 37): «Esta não foi uma última corrida fácil para nós! Uma boa parte do resultado jogou-se nas Qualificações. Ficámos com a sensação de que um parámetro da pista se alterou durante a longa interrupção. Seja como for, sentimo-nos orgulhosos do que conseguimos em conjunto. Esta noite não pensei realmente em mim, mas no Yvan. Agradeço-lhe por tudo o que me ensinou, aprendi muito com ele e sinto um respeito imenso. Decidiu abandonar o desporto automóvel quando estava no topo e desejo-lhe o melhor na sua nova vida.»

Yvan Muller (Citroën C-Elysée WTCC No. 68): «São muitos os sentimentos que se misturam na minha cabeça, sobretudo depois das palavras do Pechito e da celebração da equipa. Não tomei uma decisão fácil pelo que este é um momento emocionante para mim. Tudo tem m fim e sinto-me feliz por sair agora, rodeado por todos eetes adversários. As nossas lutas foram por vezes duras, mas houve sempre respeito entre todos e é por isso que adoro este desporto. Reina agora a alegria pois tenho ainda muito a fazer com a minha equipa, o desenvolvimento de jovens pilotos e a minha familia. Não me vai faltar o que fazer!»  

autonews.pt @ 28-11-2016 16:51:26


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