DS3 WRC com objectivo definido
Evento ancestral do desporto automóvel, o Rali da Grã-Bretanha nasceu em 1932. Desde então, apenas a 2ª Guerra Mundial, a crise do Canal do Suez e a febre aftosa interromperam a sua realização. Durante muito tempo coube aos britânicos, suecos e finlandeses o monopólio das vitórias, numa prova que ainda é conhecida como o Rali RAC.
Citroën @ 7-11-2014 14:06:51
Se no início dos anos 80 os Citroën Visa apenas alcançavam vitórias à classe, graças a Maurice Chomat e Mark Lovell, foi com o C4 WRC que a Marca estreou a inclusão do seu nome no palmarés da prova. Entre 2008 e 2010, Sébastien Loeb e Daniel Elena alcançaram três vitórias consecutivas.
BANHOS DE LAMA A ALTA VELOCIDADE
«Para as nossas equipas, esta 13ª jornada da época apresenta-se como uma derradeira oportunidade de demonstrar o seu valor, mas o nosso objectivo principal passa por manter o 2º lugar no Campeonato do Mundo de Construtores. As diferenças pontuais para com os nossos rivais são muito pequenas, pelo que teremos de jogar com ambos os carros,» resume Yves Matton, Director da Citroën Racing.
A partir do ano passado, o Rali da Grã-Bretanha deixou Cardiff, rumando à costa norte de Gales. Mas a maioria das especiais são já conhecidas dos concorrentes. Chuva, neblina, lama... Quando a equipa técnica e as equipas falam sobre o País de Gales e o mês de Novembro, estas palavras apresentam-se como uma obsessão.
«Nenhuma outra prova conta com tais características tão vincadas como esta,» refere Didier Clément, Responsável pelo Desenvolvimento do DS3 WRC. «Este é o rali que pode ter demasiada chuva e demasiada lama. Tem um perfil bastante peculiar, em que a aderência muda constantemente! As afinações até podem estar correctas, mas em face de pisos com pedras ‘gordurosas', aquela pode ser quase zero.»
A terra assume, portanto, um papel muito importante nesta última prova. Bastam algumas centenas de metros para se colar na carroçaria e por debaixo do carro: «Não há nenhuma receita milagrosa. A lama pega-se e não pode ser retirada sem intervenção externa. Pode significar cerca de 100 kg de peso extra!»
Outro desafio refere-se as afinações, dado que as velocidades médias nas especiais obrigam a manter a máxima eficiência quando se buscam as afinações ideais: «Há pouca deflexão vertical e uma necessidade muito grande em termos de aderência, ao mesmo tempo que não se deve sacrificar a eficácia da viatura. É um casamento difícil, mas podemos recorrer à experiência dos anos anteriores.»
MADS ØSTBERG APONTA A LUGAR NO PÓDIO
Mads Østberg conta com memórias muito agradáveis das suas viagens anteriores ao país de Gales. Presente por seis vezes no Rali da Grã-Bretanha ao volante de World Rally Cars, o norueguês subiu ao segundo degrau do pódio na edição de 2011: «Estou a começar a desfrutar de uma experiência sólida nesta prova. Lembro-me de muitos bons momentos nessas estradas, sendo um rali que aprecio particularmente, pelo que aguardo ansiosamente por cada edição.»
Muito competitiva em superfícies escorregadias, a dupla Østberg/Andersson subiu ao pódio na Suécia, em Portugal e em Itália. Preparam-se, agora, para lutar novamente por um lugar no ‘top 3’: «É um rali difícil, em que as más condições atmosféricas podem trazer outros riscos. Desde os reconhecimento que multiplicamos os detalhes nas notas para conseguirmos manter uma velocidade elevada, mesmo quando a visibilidade é reduzida. O objectivo é voltar ao pódio e nós temos estado sempre no ritmo certo em pisos de terra. É importante terminar esta temporada com um bom resultado e eu conheço a performance do DS3 WRC!»
KRIS MEEKE JOGA (QUASE) EM CASA
Oriundo da Irlanda do Norte, Kris Meeke não é, por isso, um local do País de Gales. No entanto, o britânico contará com um enorme apoio nesta última ronda da temporada: «Posso dizer que esta é a prova mais perto de casa. Disputei a minha primeira prova, o Rally Bulldog, nestas florestas. Conheço muito bem a região, mesmo que apenas tenha feito o Rali da Grã-Bretanha por uma vez nos últimos oito anos.».
À semelhança de toda a equipa, Meeke está ansioso para chegar a Deeside: «A temporada passou muito depressa… Adoro essa atmosfera em redor do seu final, a tradição do evento e até mesmo o cheiro a lama nas florestas. As especiais estão entre as mais bonitas do mundo e, também, entre as mais difíceis. É necessário ter um carro com uma afinação perfeita, devendo haver um equilíbrio ideal entre aderência e precisão.»
«Seria bom terminar a temporada com uma nota positiva», acrescenta Meeke. «Sei que irei beneficiar da presença de muitos fãs que me querem ver ganhar. Vou fazer o meu melhor para adquirir um máximo de experiência, mas acho que um pódio é um objectivo realista.»
AS ÚLTIMAS 23 CLASSIFICATIVAS DO ANO*
Tal como no ano passado, o Parque de Assistência ficará em Deeside, a apenas alguns quilómetros de Chester, localidade que acolheu bastantes edições da prova entre 1979 e 1996.
Em termos de formato, este viu-se ligeiramente adaptado para tornar a prova mais compacta. A cerimónia de partida terá lugar no Eirias Park de Colwyn Bay na noite de 5ª Feira. A competição começará na 6ª Feira de manhã com uma ronda já conhecida pelos troços de Gartheiniog (14,58 km, às 07h44 e 13h03), Dyfi (21,90 km, às 08h14 e 13h33), Hafren Sweet Lamb (23,55 km, às 09h24 e 14h43) e Maesnant (12,86 km, às 09h58 e 15h17). Uma assistência remota em Newtown dividirá o dia em duas partes.
As especiais de Sábado correm-se nas proximidades do Parque de Assistência. Estão agendados dois cronos espectaculares na famosa floresta de Clocaenog, os troços East (8,25 km, às 7h52 e 15h00) e Main (13,74 km, às 08h08 e 15h16), seguindo-se Aberhirnant (13,87 km, às 09h18 e 16h26) e Dyfnant (19,98 km, às 10h10 e 17h18). Antes da entrada na assistência a meio do dia, corre-se um pequeno troço-espectáculo destinado aos fãs, Chirk Castle (2,06 km, às 12h00). As duas últimas especiais do dia serão disputadas já noite dentro. No Domingo o percurso inclui duas novas classificativas: Brenig (10,81 km, às 08h33 e 12h00) e Alwen (10,04 km, às 09h00 e 10h51). A dividi-las estão duas passagens pelo troço de Kinmel Park (2,21 km, às 09h55 e 10h04), não havendo qualquer paragem para assistência.
Depois da Power Stage, feita com a segunda passagem por Brenig, as equipas rumam directamente a Llandudno para festejar o final da temporada de 2014, numa cerimónia de pódio na Mostyn Street, agendada para as 13h19.
Nota: horas locais, mesma hora que em Portugal
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