A tecnologia ao serviço do estacionamento : a simplificação nos processos
Utilizar a mesma aplicação em Portugal e na Europa
Nos últimos anos, a abrangência do uso da tecnologia estendeu-se a todos os sectores. O estacionamento de veículos acompanhou esta tendência, com um claro incremento da utilização de aplicações para pagamento do estacionamento.
autonews.pt @ 4-1-2024 15:22:41
O funcionamento dos ecossistemas de estacionamento é, em muitas circunstâncias, visto como estanque e intrinsecamente ligado aos automóveis e condutores, sendo o estacionamento considerado como apenas um passo no processo. Contudo, a tecnologia tem vindo a demonstrar, nos últimos anos, que equacionar este ecossistema tem o seu ponto de partida na inovação e na sustentabilidade das cidades, assim como na perspetiva de simplificação de processos para os utilizadores.
Nesta ótica, a tecnologia aplicada ao estacionamento vai bem mais além dos parques cobertos com cobrança em máquinas de pagamento automático, ou com elevadores de transporte dos veículos para incrementar o espaço disponível para estacionar. Prevê-se atualmente que a massificação do uso da tecnologia irá chegar aos processos de pagamento de estacionamento e que os parquímetros físicos poderão, simplesmente, deixar de existir. Um recente estudo na Finlândia revela que as grandes cidades estão, aos poucos, a eliminar a existência de parquímetros físicos dado o incremento do uso de aplicações de estacionamento. E se tal acontece nos grandes meios urbanos, em breve, será uma tendência generalizada.
No mesmo sentido movimenta-se o Reino Unido , onde o governo se prepara para lançar uma infraestrutura nacional de pagamentos de estacionamento online. Nesta estarão disponíveis todas as aplicações existentes no país para o pagamento do estacionamento, sendo competência do utilizador selecionar a que melhor se adequa aos seus hábitos de consumo. Esta situação deixa na mão do utilizador a escolha a realizar, ao mesmo tempo que permite às diferentes aplicações estar em pé de igualdade na sua oferta de serviços. Uma clara vantagem para o utilizador que não apenas toma a decisão que considera adequada às suas necessidades e que, simultaneamente, não terá que se preocupar se a sua aplicação está disponível em determinada cidade, nem em utilizar pagamentos físicos.
Esta realidade tecnológica apresenta-se ao consumidor como um mercado aberto, quer em termos económicos, quer em termos de desenvolvimento do ecossistema. Contudo, o caso de Portugal está, ainda, bastante distante dos seus congéneres europeus.
No caso português, o número de aplicações que podem operar na cidade de Lisboa é ilimitado – neste momento operam 5 aplicações de estacionamento -, mas noutras cidades, a realidade é bastante díspar onde, em média, se encontram uma ou duas aplicações à disposição do condutor. Estas circunstâncias colocam o país numa situação de potencial de crescimento bastante grande, mas limitativo ao utilizador: uma aplicação que facilmente se utiliza em Lisboa, poderá não estar disponível numa cidade como seja o Porto.
Nestas circunstâncias, o mercado aberto é, na situação portuguesa, um potencial de desenvolvimento que traz ao ecossistema existente, e aos que se estão a desenvolver, o conhecimento de outros mercados, e que se pode refletir em implementações bastante mais simples.
Ainda assim, o consumidor português fica aquém do potencial de viagem de outros condutores: a possibilidade de viajar e estacionar sempre com a mesma aplicação no telemóvel e na sua língua é bastante restritiva ao condutor português, dentro e fora do seu país.
O que para um utilizador europeu será bastante simples, de utilizar uma única aplicação em qualquer ponto do seu país e, até, da Europa, não o é para um português. Das aplicações mais conhecidas no mercado português, a maioria opera apenas no mercado nacional. Ainda que, pontualmente, alguma aplicação possa ser utilizada no mercado português e espanhol, estas não estão disponíveis além da Península Ibéria, o que limita o potencial para o utilizador que viaje e conduza no estrangeiro com frequência. Assim, o desenvolvimento tecnológico como o caso finlandês da possibilidade de eliminação de parquímetros físicos pode ser restritivo ao condutor português, quando esta se tornar, potencialmente, uma realidade europeia.
autonews.pt @ 4-1-2024 15:22:41
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