Mercedes-Benz 600 S da Presidência da República

Agostinho Azevedo, o responsável pelo restauro na Soc. Com. C. Santos

A exposição “O motor da República: os carros dos Presidentes”, patente no Museu dos Transportes e Comunicações (Alfândega do Porto), integra um Mercedes-Benz 600 S (W100) que foi alvo de um profundo restauro realizado na Sociedade Comercial C. Santos. No virar de século, foram quase três anos para devolver todo o merecido brilho ao imponente veículo. Saiba mais sobre o restauro pela voz de Agostinho Azevedo, profissional que liderou a equipa que deu nova vida à viatura.

autonews.pt @ 18-1-2022 14:02:14

O Mercedes-Benz 600 S (W100), lançado em 1963, tinha com destino chefes de Estado e outras individualidades. Com motor a gasolina V8 com 6,3 litros e transmissão automática, o modelo conta com suspensão hidráulica. Também hidráulico é o sistema que regula a posição dos assentos, do vidro que separa motorista e passageiros, assim como portas e tampa da bagageira.

Este exemplar foi adquirido pelo Estado em maio de 1966, por 785 mil escudos (pouco menos de quatro mil euros), e colocada na dependência da Presidência do Conselho de ministros.

Esta imponente limousine Mercedes 600 S foi, em maio de 1977, transferida para a Presidência da República, onde prestou serviço até meados da década de 1990. Hoje faz parte da exposição “O motor da República: os carros dos Presidentes”, que o Museu da Presidência tem patente no Museu dos Transportes e Comunicações, na Alfândega do Porto.


Chegou em caixas à Soc. Com. C. Santos

Antes, porém, de poder ser observada em todo o seu esplendor, esta unidade do modelo precisou de uma intervenção profunda. Tão profunda que o veículo chegou às instalações da Sociedade Comercial C. Santos desmontado e com várias peças acomodadas dentro de caixas.

O restauro do Mercedes-Benz 600 S da Presidência da República foi o primeiro grande desafio que Agostinho Azevedo teve quando, em 1998, entrou para a Sociedade Comercial C. Santos. O veículo viria a ficar pronto em 2000. “Sem dúvida que foi um grande desafio, pelas condições em que a viatura chegou. Seja o melhor orçamentista que possa existir, é sempre muito complicado fazer um orçamento quando as coisas já vêm, enfim desmontadas”, explica Agostinho Azevedo, em mais uma edição da SocInterview, as entrevistas do histórico concessionário Mercedes-Benz e smart.

A equipa não esmoreceu e colocou mãos à obra para fazer o orçamento. Contas feitas, chegou-se a um valor a enviar ao Ministério das Finanças: 12 mil contos (cerca de 60 mil euros). “Algumas pessoas não acharam muita piada, porque eram valores, realmente, excessivos e como eu estava há pouco tempo na Sociedade Comercial C. Santos, tudo se ‘enquadrava’ para que alguma coisa não estivesse bem”, conta o profissional, hoje responsável pela área de Colisão na empresa.

Agostinho de Azevedo não estranha que tivesse havido dúvidas. É que tinha, na altura, 28 anos e nunca tinha coordenado um restauro na Sociedade Comercial C. Santos. “Ainda por cima numa viatura tão emblemática como esta”. O facto é que a reparação foi feita e a fatura que foi emitida três anos depois tinha o valor de 11 900 contos. “Portanto, a estimativa, não andava muito longe da realidade”, salienta.


A importância do detalhe

Neste tipo de intervenção “dá-se muita importância a todos os detalhes”, pelo que o processo é demorado, de acordo com Agostinho Azevedo. “Para terem uma ideia, este carro foi pintado duas vezes, precisamente para dar este acabamento que estamos aqui a ver”.

Desde o interior ao exterior, bem como a nível mecânico, foram vários os profissionais que intervieram no restauro do restauro do Mercedes-Benz 600 S da Presidência da República: estofadores, pintores, chapeiros e mecânicos.

“É um orgulho, ao fim de 20 anos, estarmos aqui a olhar para uma coisa que foi restaurada na Sociedade Comercial C. Santos”, remata Agostinho Azevedo

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