O super íman da Eni e MIT funciona

As portas da energia limpa com o plasma da fusão nuclear

Foi um sucesso o primeiro teste do super íman da Eni, necessário para controlar a fusão nuclear. Foi a própria Eni a anunciar, a qual participa neste ambicioso projeto através da Commonwealth Fusion Systems (CFS, empresa na qual os Italianos são os acionistas maioritários), junto com o prestigiado Massachusetts Institutte of Tecnology (MIT) de Boston.

autonews.pt @ 14-9-2021 13:02:36

O teste ocorreu em 5 de setembro, mas foi validado pelos dados recolhidos ontem (7 de setembro) e confirmaram o desempenho do super íman que deverá conter a fusão nos reatores e controlar o "plasma" do deutério e do trítio. O CFS planeia construir o primeiro reator experimental até 2025 e produzir energia para a rede já na próxima década.

Confirmou-se assim o êxito de três anos de trabalho na investigação e desenvolvimento: pela primeira vez, um grande eletroíman supercondutor de alta temperatura foi elevado a uma intensidade de campo de 20 tesla, o campo magnético mais poderoso deste tipo já criado na Terra.

O teste ajuda a resolver a maior incerteza na pesquisa necessária para construir a primeira central elétrica de fusão nuclear no mundo. Num momento histórico em que existe pressão na pesquisa por eletricidade de baixo custo e sem emissões nocivas, depois de o Ministro Italiano para a Transição Ecológica, Roberto Cingolani, durante o Fórum de Cernobbio, voltou a falar em energia nuclear de nova geração, este resultado abre caminho para a criação de centrais elétricas de baixo custo e sem emissões de carbono que poderiam dar uma contribuição importante para limitar os efeitos das alterações climáticas.

“Se em determinado momento descobrir que os quilos de lixo radioativo são muito poucos, a segurança alta e o custo baixo, seria tolice não considerar esta tecnologia", disse o Ministro, embora aludindo aos mini reatores de quarta geração, ciente que a fusão nuclear ainda é um projeto. Todavia, “a fusão é a mais recente fonte de energia limpa”, afirmou Maria Zuber, vice-presidente para a investigação do MIT, “o combustível utilizado para criar a energia de fusão provem da água, que na Terra é um recurso quase ilimitado. Precisamos entender como o utilizar”.

Com a demonstração agora efetuada, a colaboração MIT-CFS está no caminho certo para construir o primeiro dispositivo de demonstração de fusão do mundo, chamado Sparc, que deve ser concluído em quatro anos.

Dennis Whyte, diretor do Plasma Science and Fusion Center do MIT, que está a trabalhar com a CFS para desenvolver este reator, disse: “Os desafios de se conseguir a fusão são técnicos e científicos, mas assim que a tecnologia for demonstrada, será uma nova e inesgotável fonte de energia.” Whyte, que também é o diretor de engenharia da Hitachi América, afirma que a demonstração desta semana representa um marco importante, abordando as principais questões levantadas sobre a viabilidade do projeto.

Para entender a diferença com a fissão nuclear, devemos lembrar que estamos a falar sobre a replicação do processo que alimenta o Sol de forma controlada.

A fusão de dois átomos para fazer um maior, libertando grandes quantidades de energia. Mas o processo requer temperaturas muito além do que qualquer material sólido poderia suportar.

Para captar a fonte de energia do Sol aqui na Terra, é preciso uma forma de capturar e conter algo tão quente (cem milhões de graus e mais), suspendendo-o no limite que o impede de entrar em contacto com qualquer coisa sólida, fundido instantaneamente.

É possível fazer isso usando campos magnéticos intensos que formam uma espécie de "garrafa invisível" para conter o plasma de protões e eletrões. Como essas partículas têm carga elétrica, são fortemente influenciadas por campos magnéticos e a configuração mais usada para contê-las é um dispositivo em forma de donut chamado Tokamak. Eletroímans de cobre convencionais sempre foram usados para criar campos magnéticos, mas a versão mais recente e melhor deles, em construção na França e chamada Iter, usa os chamados supercondutores de baixa temperatura.

No projeto de fusão MIT-CFS, a inovação está no uso de supercondutores de alta temperatura, que permitem um campo magnético muito mais forte num espaço reduzido em 40 vezes em comparação ao que seria necessário com tecnologias mais antigas.

“Este é um grande momento”, disse Bob Mumgaard, CEO da CFS. “Temos uma plataforma que é tanto cientificamente muito avançada, graças a décadas de pesquisa nestes equipamentos, quanto comercialmente interessante. O que ela faz é permitir-nos construir dispositivos mais rápidos, menores e a um custo mais baixo. Trazer esse novo conceito de íman para a realidade levou três anos de intenso trabalho de projeto, construção de cadeias de suprimentos e desenvolvimento de métodos de fabricação para ímans que podem, eventualmente, ser produzidos aos milhares. Construímos um íman supercondutor único no seu género. Agora estamos bem preparados para iniciar a produção do Sparc."

O próximo passo para a realização da fusão nuclear será a construção de um modelo em escala reduzida da central planeada e, se bem-sucedida, demonstrará que uma central elétrica de fusão nuclear é possível, abrindo caminho para a sua construção com a certeza de ter toda a energia disponível que a humanidade precisa para manter o planeta habitável.

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