Mazda RX500: Uma rápida viagem ao passado

O seu motor debitava 250 cv para uma velocidade máxima superior a 240 km/h

Reduzido a uma dimensão de brinquedo, conquistando os quartos das crianças dos anos 70, o Mazda RX500 tornou-se numa verdadeira peça de colecção. Estávamos no ano de 1970: os Beatles lançavam o seu álbum “Let It Be” e a fracassada missão espacial Apollo 13 inspirou a mundialmente famosa frase "Houston, we have a problem". 

autonews.pt @ 1-6-2021 15:17:14

Mas esse foi, também, um ano de muita agitação no mundo automóvel, com designs visionários em forma de cunha a dominar o visual dos denominados super-automóveis, em conjunto com uma série de fabricantes a testar o tecnicamente sofisticado motor rotativo, aplicando-o nos seus concept-cars.

Foi neste contexto que a Mazda apresentou o RX500, uma proposta radicalmente angular e aerodinâmica mostrada na 17ª edição do Salão Automóvel de Tóquio, marcando o 50º aniversário da Mazda Motor Corporation.

O automóvel desportivo amarelo de motor central tornou-se rapidamente no favorito das multidões, cativando o público com o seu design inspirado na aviação e as suas portas com abertura tipo borboleta. Equipado com a inovadora tecnologia de pistões rotativos, não foi uma surpresa o facto de o futurista Mazda RX500 gerar tanto interesse junto dos meios de comunicação social de todo o mundo.

Da sala de exposições para a caixa de brinquedos


Estas circunstâncias forneceram um excelente cenário para transformar o espectacular veículo numa miniatura, potencial reconhecido pela Matchbox que integrou o Mazda RX500 – num inédito tom cor-de-laranja – na sua colecção “Superfast”, em resposta ao lançamento da Hot Wheels, em 1968, marca do grupo Mattel, que apresentava eixos mais finos e novas rodas, tornando as miniaturas mais rápidas e as brincadeiras mais divertidas.

E por que motivo decidiu a Matchbox incluir este super-automóvel japonês no seu portefólio? A marca concebia os seus produtos tendo especificamente em vista o mercado norte-americano, o seu maior mercado de vendas na época, marcando pontos com vários automóveis personalizados, que agradavam ao inconfundível gosto americano.

Para acompanhar o ritmo, a Matchbox procurava, também, contar com automóveis futuristas fantásticos e concept-cars nas suas colecções, sendo que o Mazda RX500 satisfazia, na perfeição, esses requisitos do mercado norte-americano, numa altura em que a Europa demonstrava grande interesse na Mazda e no motor Wankel.

Não admira que o Mazda RX500 cor-de-laranja da Matchbox, apresentado em 1971 como “MB66”, se tenha tornado imediatamente numa das miniaturas mais vendidas a nível mundial.

Espetacularmente diferente: a ideia por detrás do Mazda RX500


Mas afinal o que levou a Mazda a lançar um veículo tão radical? O desenvolvimento de um protótipo criado para investigar o comportamento das carroçarias com uma elevada componente plástica e a dinâmica de condução a velocidades superiores a 200 km/h foi iniciado já em 1968 sob o nome de código “X810”.

O objetivo era o de investigar a harmonia entre as pessoas e a velocidade numa sociedade do futuro, a partir da ideia de possíveis cenários de tráfego intermunicipal. Para tal era necessário um veículo experimental, de motor central, baixa resistência aerodinâmica e elevado downforce, em simultâneo com a suavidade de um motor rotativo.

Em complemento, pretendia-se que o projecto para o que viria a ser o Mazda RX500 também fosse considerado como um potencial sucessor do Cosmo Sport 110 S, modelo que, à época, era o automóvel de referência da Mazda.

Uma equipa cuidadosamente selecionada produziu diversos modelos e estudou a sua resistência aerodinâmica no túnel de vento. Ao contrário do plano original de construção de um coupé, foi escolhida uma proposta de formato Shooting Brake, mais simplificada do designer Shigenori Fukuda, que oferecia menor resistência aerodinâmica. Para a concepção do Mazda RX500, Fukuda-san inspirou-se, entre outras soluções, no filme "2001: Odisseia no Espaço".

O veículo deveria assemelhar-se o menos possível a um automóvel clássico, o que fez com que tivessem sido utilizados inúmeros elementos de design das corridas e da aviação na criação do Mazda RX500. Destaca-se, em particular, a secção traseira, com o seu visual invulgar, evocando a combinação entre uma nave espacial e um jacto de caça. A inspiração também veio da colaboração de Fukuda-san com o fabricante italiano Carrozzeria Bertone, adicionando curvas e contornos suaves ao Mazda RX500.

Outra característica diferenciadora do design é o para-brisas envolvente. Com o pilar A totalmente oculto, as superfícies de vidro do veículo parecem fundir-se numa única peça, conferindo ao habitáculo uma aparência do tipo cúpula.

A entrada no Mazda RX500 faz-se através de um par de portas do tipo borboleta. Mesmo quando está parado, este conceito da porta, tão familiar no mundo do automobilismo, criava uma sensação de dinâmica. Atrás delas estava um outro par de portas do tipo asas de gaivota e um capô bipartido longitudinalmente, de acesso ao compartimento do motor, onde se alojava o coração rotativo deste desportivo. Foi um detalhe que escapou à Matchbox ao criar o Speedster para crianças, escondendo o motor sob uma grande tampa de abertura tradicional.

No que se refere ao interior, os passageiros sentavam-se em dois bancos desportivos. As atenções eram atraídas para os três instrumentos semicirculares, colocados atrás do volante em pele com quatro raios, dispostos num tablier envolvente. O entretenimento também não ficou esquecido no Mazda RX500, com a consola central a alojar um rádio AM/FM, atrás da manete da caixa de quatro velocidades, solução trazida do Mazda Luce R130 Coupé.

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