Uma Nova parceria de Pneus é Fundamental no Regresso da Aston Martin à Linha da Frente do GT

A Aston Martin Racing estava ferida no final de 2015. Durante a época passada do Campeonato Mundial de Resistência da FIA, Aston Martin sentiu alegria apenas por breves instantes quando Richie Stanaway, Fernando Rees e Alex MacDowall consagraram-se vitoriosos em Spa, no passado mês de maio. Desde então, devido a uma combinação de falta de sorte e circunstâncias adversas originadas pelo sistema “Balance of Performance” na categoria LM GTE Pro, a equipa ficou relativamente limitada perante os seus adversários.

autonews.pt @ 15-6-2016 10:45:27

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No dia seguinte à corrida final no Bahrain, a Aston Martin recorreu a uma das suas equipas privadas (a Beechdean Racing) para avaliar os pneus Dunlop pela primeira vez. O piloto habitual de testes da Dunlop, Daniel Serra, juntou-se a Jonny Adam e Marco Sørensen para percorrer a quilometragem de avaliação. Este foi o início da preparação em pista da Aston Martin em 2016, que acabaria por dar origem a uma aliança entre os dois gigantes britânicos dos desportos de motor, unindo-se com o objetivo de voltar a conquistar troféus para a nova e luxuosa sede da Aston Martin Racing em Banbury.

A parceria estabelecida com a Dunlop foi uma peça fundamental no puzzle que constitui o desafio da Aston Martin aos novos Ferrari 488 GTE e Ford GT no WEC FIA 2016. Em Le Mans, o objetivo é repetir os anos gloriosos de 2007 e 2008 em que ganharam o GT por duas vezes. Oito anos sem qualquer vitória em Le Mans, revela-se como uma maldição para uma equipa com a dimensão da AMR.

“A determinação e a vontade de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para voltar a vencer em Le Mans são o nosso grande foco”, esclarece Paul Howarth, diretor da equipa Aston Martin. “O nível de compromisso demonstrado por Dunlop é verdadeiramente exemplar. Tem trabalhado ao mais alto nível possível. Apercebemo-nos imediatamente da sua dedicação e é estimulante saber que o seu desejo de vitória é tão grande como o nosso, pelo que se alargarmos isto a todos os parceiros da equipa vamos chegar a uma fórmula vencedora”. Até agora, a equipa percorreu cerca de 4.500 km de testes.

Para além do invicto da Aston Martin, Darren Turner, e do dinamarquês Marco Sørensen, seu colega de equipa, Fernando Rees foi também decisivo no desenvolvimento do pneu Dunlop ao longo do inverno. O brasileiro evoluiu muito em termos de velocidade e consistência desde a estreia com a Aston Martin em Silverstone, em 2014, e conquistou uma sólida reputação de perspicácia e inteligência. O piloto de 31 anos, que esta época partilha o carro número 97 com Richie Stanaway e o recém-chegado Jonny Adam, crê que o pneu Dunlop vai ser um fator chave na prova de Le Mans deste ano, particularmente no que diz respeito ao seu comportamento em função das sempre imprevisíveis temperaturas.

“Todos têm um pneu especial para Le Mans, sobretudo quando a noite chega e a temperatura desce; é esse o momento em que tudo acontece e o verdadeiro ritmo do carro é ilusório” , refere Rees. “Qualquer outra corrida é completamente diferente de Le Mans, razão pela qual estamos a trabalhar em programas paralelos, dada a importância de realizar testes noturnos em locais onde a temperatura desce rapidamente e volta a subir com igual rapidez”.

Este programa específico de testes, focado em Le Mans, prosseguiu em Monza logo após o fim-de-semana da corrida de Spa, antes dos camiões da equipa se dirigirem a Le Mans para os testes oficiais, no primeiro domingo de junho. Na prática, o desenvolvimento dos carros LM GTE “Green Stirling” com motor V8 de 4,5 litros é um processo infindável.

“Fizemos um grande trabalho de testes e desenvolvimento de pneus para piso molhado” , acrescenta Rees. “Na verdade, o facto de chover à noite é bastante distinto de quando chove a meio da tarde, com 30 graus. O trabalho que tem de ser feito é, de facto, muito e bastante complexo. Mas foi muito vantajoso termos tido tantas horas de trabalho em conjunto com pilotos, engenheiros e técnicos da Dunlop. Todos estão empenhados na mesma missão e trocam informações; tem havido uma ligação realmente muito boa entre todos nós”.

Uma das grandes alterações para esta época foi a liberdade dada a engenheiros e projetistas para as questões de aerodinâmica nos carros LM GTE Pro. Há muitas alterações à especificação do Aston Martin para 2016, sobretudo na parte de trás, onde foi aplicado um difusor traseiro inconfundível para melhorar a circulação do ar por baixo do carro.

“A forma do carro mudou e isso faz parte do que estávamos à procura em termos de desenvolvimento”, explica Xavier Fraipont, Diretor-geral da Dunlop Motorsport. “Cada alteração aos regulamentos coloca novos desafios ao comportamento dos pneus. É um problema gerir a quantidade de força descendente gerada e a quantidade de calor produzida sobre o pneu. Quando se está numa reta com muito mais peso resultante da força descendente, que pressiona os pneus contra o solo, é óbvio que altera completamente o comportamento quando se entra numa curva”.

Dado que Le Mans tem retas muito mais longas do que qualquer outra pista, todos estes pormenores são amplificados. Atendendo à falta de acesso ao circuito completo, já que grande parte dele pertence a vias públicas, há que levar a cabo muita simulação pré-competitiva fora da pista. As equipas só dispõem de um dia na pista antes da semana da corrida para aperfeiçoarem o seu equipamento em tempo real.

“O ano passado estivemos concentrados na LMP2 e mostramos que podemos competir ao mais alto nível e ganhar”, refere Fraipont. “Já nessa altura estávamos a trabalhar com GT nas ELMS, pelo que havia boas bases para despertar a atenção da Aston Martin. A marca pretendia estabelecer uma parceria, e tudo começou nos testes do Bahrain, no final da última época. Entretanto, aprendemos muito em muitas áreas do desporto em que competimos, como a LMP2 e as séries de resistência VLN na Alemanha. Nós informámos a Aston Martin de que podíamos prestar um serviço concentrado de apoio de engenharia, o que me parece que foi muito bem recebido. As duas partes rapidamente perceberam que era necessário fundir todos estes aspetos e que ambas tinham muita coisa em comum. Queríamos participar ativamente na afinação do Aston e oferecer o nosso conhecimento, sobretudo com as novas regulamentações para 2016 e em particular as alterações na traseira do carro”.

A Dunlop alterou as suas instalações de produção em 2014 e teve de reduzir algumas atividades, nomeadamente na América. Após um curto intervalo, a empresa decidiu regressar à competição GT ao mais alto nível e a Aston Martin era o parceiro ideal para se envolver nos meandros da classe LM GTE Pro, especialmente em Le Mans onde a pista é uma entidade viva.

“Todos os anos há novidades em Le Mans no que se refere às condições da pista”, afirma Fraipont. “Pode ter a ver com a temperatura, com um ligeiro desgaste na pista - sobretudo na secção da estrada pública - ou resultar de alguma reparação do piso do circuito. É claro que dispomos de modelos e de simulações, mas ainda temos muito trabalho de validação para fazer. Algumas pistas conseguem simular Le Mans – as mais óbvias são Paul Ricard e Monza, que possuem longas retas e nos permitem simular a tensão que os pneus sofrem. A temperatura em Le Mans pode registar grandes variações, e muitas vezes as pessoas não se apercebem destas amplitudes, mas é claro que nós estamos a correr de dia e de noite ,pelo que às vezes podemos ter 6 ou 7 graus e depois passar para 25 ou 26, o que representa uma oscilação significativa para os pneus. A forma como aprendemos a gerir a consistência é vital para as nossas equipas durante a corrida”.

De um ponto de vista de engenharia, a Aston Martin Racing dispõe de um poderoso arsenal de capacidade. Os departamentos de dinâmica do veículo, aerodinâmica, compósitos e motor associam-se para criar uma das melhores operações de competição de resistência em todo o mundo. No ponto fulcral de tudo isto está Dan Sayers, Diretor Técnico da AMR.

“Não nos podemos iludir, continua a haver muito trabalho para fazer e a visão que temos desta parceria com a Dunlop é de longa duração”, esclarece Sayers. “Estamos no início de uma viagem. Ao longo dos últimos anos, dispusemos de algumas boas oportunidades para vencer Le Mans. Ganhámos em LM GTE Am, mas em Pro (desde que o WEC começou) a vitória tem-nos fugido. Por isso, julgo que há duas questões. Uma é óbvia – fiabilidade, que me parece ter ficado resolvida o ano passado. Em 2015, os erros dos pilotos custaram-nos caro, e é isto que temos de erradicar. A fiabilidade deve ser mantida, mas os erros de pilotagem são de facto um elemento importante em Le Mans”.

“Os testes foram uma grande vantagem este ano”, acrescenta Sayers. “Nunca tínhamos feito tantos testes como agora, só para procurar compreender os pneus e o carro. Mas o trabalho com eles é muito diferente do nosso relacionamento anterior. Estamos em contacto com eles de forma diária sobre questões técnicas, o que representa para nós um bónus enorme; temos recebido todo o apoio. Não me interpretem mal, a Michelin era excelente, fizeram um pneu impressionante, mas a parceria com a Dunlop representa um avanço. Pela primeira vez tivemos a possibilidade de personalizar um pneu para o nosso carro, o que é uma grande vantagem”.

A pressão em Le Mans é fortíssima, a capacidade de liderança é essencial e a Aston Martin Racing possui uma vasta experiência.

Howarth, o chefe da equipa, é um organizador sensato e pragmático na Prodrive e, ao longo de 27 anos, a sua visão clara – seja nas corridas ou nos ralis – tem rendido vitórias e títulos. Há que dirigir as expectativas da equipa Aston Martin Racing em Le Mans e é ele que assume as responsabilidades.

“Temos expectativas”, confessa Howarth. “Mas nós estamos continuamente a pressionar a equipa para que todos dêem o seu máximo. A equipa tem de vencer, eles sabem-no muito bem. Temos de perceber o que é necessário para ter êxito em todas as áreas, por isso trabalhamos até à exaustão as vertentes técnica e desportiva – as paragens nas boxes, as preparações técnicas, as operações, tudo. Nada será deixado ao acaso”.

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