Portugueses pouco afortunados em Le Mans 21
Problemas técnicos variados prejudicaram os pilotos portugueses
Teve lugar este fim-de-semana a 89ª edição das 24 horas de Le Mans, na qual participaram em diferentes equipas, os pilotos Filipe Albuquerque, Álvaro Parente e António Félix da Costa. Problemas técnicos variados impediram o brilho dos pilotos portugueses.
autonews.pt @ 24-8-2021 11:27:23
Problemas elétricos impedem Filipe Albuquerque de lutar pela vitória
Não foi, de perto nem de longe, o desfecho esperado para a oitava participação de Filipe Albuquerque nas 24h de Le Mans. Depois da brilhante vitória conseguida o ano passado, o piloto português estava determinado em voltar a repetir o feito. Filipe e os seus companheiros de equipa, Phil Hanson e Fabio Sherer partiram para a corrida da 12ª posição da grelha entre os LMP2 e estavam confortavelmente no terceiro lugar, em condições de discutir a vitória, quando problemas elétricos obrigaram a uma ida às boxes para substituir o alternador, uma tarefa demorada. Apesar de terem continuado em prova, o muito tempo perdido, deitou por terra todas as ambições do trio do Oreca #22. Viriam a cruzar a linha de meta na 19ª posição.
No final destas longas 24h de competição, a frustração era notória no seio de toda a estrutura: "Não é fácil digerir estas coisas. Saímos para a corrida de uma posição complicada e com condições atmosféricas adversas. Fui muito cauteloso no início para não deitar nada a perder. Fomos gradualmente subindo posições na tabela, chegámos a liderar a prova entre os LMP2 e quando estávamos confortavelmente na terceira posição e ainda com mais de 10 horas de competição pela frente, o alternador dá problemas. Fomos forçados a meter o carro nas boxes para reparar o problema. Logo aí soubemos que a nossa corrida tinha chegado ao fim! Mas, a pensar nos pontos para as contas do campeonato do mundo, continuámos em prova em busca do melhor resultado. E a 19ª posição foi o resultado possível", explicou Filipe Albuquerque.
Um desfecho inglório para quem já tinha enfrentado adversidades ao longo do fim-de-semana e tinha feito tanto em corrida para recuperar o tempo perdido: "As corridas são assim mesmo. Uma vezes ganhamos e outras vezes perdemos. Foi uma pena porque o nosso carro estava a andar muito bem, mas são situações que não conseguimos controlar. Agora é olhar para a frente e pensar na próxima", rematou Filipe Albuquerque.
Álvaro Parente abandonou por problemas técnicos
Álvaro Parente não pôde terminar a 89ª edição das 24 Horas de Le Mans, devido a problemas técnicos, mas faz um balanço positivo do seu regresso à mais importante corrida de endurance do mundo. A equipa do piloto português conseguira assegurar a pole-position da GTE Pro, batendo as formações de fábrica, mas o piloto do Porto sentia que em prova tudo seria mais difícil e complicado, o que acabou por se confirmar.
A maratona de vinte e quatro horas teve o seu início com a pista molhada e depois de duas voltas de Safety-Car, na confusão, Maxime Martin, que realizou o primeiro turno de pilotagem, não evitou um pião, caindo muitas posições.
Rapidamente ficou evidente que a máquina da HubAuto Racing não conseguia acompanhar o andamento dos outros concorrentes da GTE Pro.
Quando Álvaro Parente pegou no Porsche 911 RSR número setenta e dois, no final da tarde, estava já no oitavo posto da classe e com duas penalizações devido a limites de pista e a uma ultrapassagem sob situação de Safety-Car. O português andou no máximo das capacidades do material ao seu dispor, assinando um turno duplo rápido e consistente, mas era difícil recuperar posições.
Ao longo da noite, o carro da HubAuto Racing subiu a quinto, graças aos problemas dos carros que rodavam à sua frente, mas as 7h30 da manhã, a seis horas e meias da bandeira de xadrez, com Dries Vanthoor ao volante e pouco antes de ser substituído por Álvaro Parente, problemas técnicos colocaram a equipa fora de prova.
Após a corrida, o piloto português estava desapontado e conformado. “Como já esperava, estávamos sem andamento para poder acompanhar os nossos adversários. Demos o máximo enquanto estivemos em prova, fiz bons ‘stints’, mas era impossível ir mais além. Face ao cenário em que estávamos, terminar teria sido um bom prémio para todos na equipa, mas acabámos por ter de abandonar”, sublinhou Álvaro Parente.
Apesar de todas as contrariedades e o desapontamento da corrida, o piloto do Porto retira pontos positivos do seu regresso a La Sarthe, onde não corria desde 2017. “Competir em Le Mans é sempre fantástico. É uma prova de sensações fortes, daquelas em que todos os pilotos querem competir. Quando entro numa corrida, o meu objetivo é vencer, mas desta feita era muito complicado e tinha isso em mente. Dei o meu máximo e era muito complicado fazer melhor. Foi importante voltar a Le Mans, competir com um Porsche e conhecer a HubAuto Racing. Portanto, apesar do abandono, faço um balanço muito positivo da minha participação nesta prova”, concluiu Álvaro Parente.
António Félix da Costa azarado
Numa corrida que acabou por não correr pelo melhor, a verdade é que Félix da Costa esteve brilhante, conquistando a pole position, dominando os momentos iniciais e efetuando turnos de condução de grande nível, mas a sorte não quis nada com as cores lusas e um problema técnico retirou as possibilidades de AFC lutar pela vitória com o Oreca 07 nº38 da equipa JOTA.
Desde a sessão de qualificação ficou bem evidente o excelente ritmo de António Félix da Costa no circuito de la Sarthe, em Le Mans. O piloto obteve a pole position na classe LMP2, deixando o 2º mais rápido a 0.5 seg, numa volta canhão do piloto Português. Na corrida AFC voltou a brilhar, num turno de condução inicial exímio, onde abriu uma diferença de mais de trinta segundos para a concorrência.
Tudo apontava para uma animada luta pela vitória, mas um problema técnico ao inicio da noite, retirou qualquer hipótese ao piloto luso de conquistar a vitória nesta edição das 24 horas de Le Mans.
Ainda assim, e apesar desse percalço, que fez o carro nº 38 da JOTA perder cerca de sete voltas, caindo nessa altura para o fundo da classificação geral, António Félix da Costa, Anthony Davidson e Roberto Gonzalez não baixaram os braços, iniciando uma grande recuperação, encurtando a diferença o vencedor, para terminar no 8º lugar da categoria LMP2. No meio de tudo isto coube ao piloto luso de 29 anos a tarefa de conduzir cerca de onze das 24 horas, mostrando-se o líder do carro nº 38. No final António Félix da Costa referia que "claro que estamos tristes porque sentimos desde o inicio que tínhamos carro e andamento para lutar pela vitória, mas Le Mans é isto mesmo, alegrias, desilusões, suor, lágrimas, uma corrida única que todos querem ganhar e que tem um sabor especial. Do nosso lado fica a certeza que demos tudo, nunca deixámos de lutar, mesmo com o problema que nos fez perder sete voltas. Fui chamado pela equipa para guiar quase onze horas e apesar do cansaço, dei sempre tudo e sinto-me contente com a minha performance, penso que não ficou indiferente a ninguém. Esta é uma corrida que quero muito ganhar e sem dúvida voltarei em 2022 para lutar por este sonho. Agradeço à equipa JOTA o excelente trabalho que fizeram, mecânicos, engenheiros e todo o staff, aos meus colegas de equipa que mantiveram um espirito de luta incrível ao longo de toda a corrida, e por fim, aos Portugueses, que me apoiaram sempre muito ao longo de todo o fim-de-semana!"
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