Elisabete Jacinto com objetivos ambiciosos para o Africa Race
Prova decorre entre 30 de Dezembro e 13 de Janeiro
A piloto Elisabete Jacinto e a equipa Bio-Ritmo® continuam a trabalhar com entusiasmo para preparar a sua participação no Africa Eco Race 2019. No ano em que celebram a sua 10ª presença nesta grande maratona africana, os portugueses contam fazer uma excelente prova de modo a alcançarem o seu sexto pódio neste longo e difícil rali.
autonews.pt @ 21-12-2018 16:36:27
À partida para esta prova, a equipa Bio-Ritmo® integra uma vez mais a piloto Elisabete Jacinto, José Marques como navegador, e Marco Cochinho como mecânico que competem no MAN TGS. Uma equipa coesa e muito eficaz que conta com uma longa experiência de trabalho em conjunto. Por sua vez, no camião de assistência MAN KAT, para além de Jorge Gil, coordenador da equipa e do mecânico Hélder Anjos, viaja um novo elemento, o Sérgio Cardoso responsável pela condução do camião de assistência.
A propósito da preparação para esta prova, Elisabete Jacinto revela na entrevista seguinte os objetivos ambiciosos que tem para esta participação.
1 - Na próxima edição do Africa Race celebra 10 anos de participação nesta corrida. Como vai comemorar esta efeméride?
Fazendo a melhor corrida de sempre. Uma corrida que terá de ser inesquecível para toda a equipa.
2 - Já tem no seu currículo 15 anos de corridas em camião onde alcançou vários resultados de excelência como por exemplo a vitória alcançada, em 2013, no Rali de Marrocos ou a vitória à geral na sétima etapa do África Race em 2012. O que ainda falta cumprir?
Falta ganhar o Africa Race. De todos os lugares foi o único que nunca consegui. Não é fácil, mas é um sonho que gostaria de realizar.
3- Qual é o principal objetivo para este Africa Race?
Ganhar seria aquele sonho que me falta concretizar... Classificar-me nos três primeiros é uma meta realizável que vou tentar conseguir este ano, mais uma vez.
4- Tem estratégias definidas para alcançar as metas delineadas?
A minha estratégia tem-se mantido igual ao longo destes anos e consiste em fazer sempre o melhor. Preparar-me bem, garantir uma boa preparação do MAN TGS, fazer uma boa coordenação da equipa e acreditar que toda ela, tal como eu, está lá para fazer o seu melhor. Essa é a estratégia que resulta quando a má sorte não nos bate à porta.
5 - A sua equipa tem-se mantido estável com os seus companheiros José Marques e Marco Cochinho a partilharem a cabine do TGS consigo há seis anos. Qual é o segredo para se manter uma equipa coesa?
Em primeiro lugar é importante que cada um aceite o desafio e todas as consequências do envolvimento num projeto desta natureza. A tarefa é extremamente difícil para cada um de nós e, por isso, é importante que cada um esteja de corpo e alma no projeto e que a ambição de ter sucesso seja a principal motivação. Depois é importante manter uma boa sintonia entre os três... ou entre os quatro, já que o camião, embora não tenha vontade própria, também conta. Essa sintonia é o mais difícil de conseguir porque somos pessoas diferentes com personalidades e histórias de vida diferentes. A boa comunicação, a honestidade e a amizade que se foi criando entre nós reforçou muito o espírito de equipa, o que nos tem permitido ter sucesso dentro dos meios de que dispomos.
6 – No MAN KAT viajam os elementos da equipa de assistência. Qual é a importância de se ter uma assistência própria?
Eu diria que não é possível ter sucesso sem ter uma boa assistência. São a parte invisível da equipa pois normalmente ninguém se lembra deles... nunca aparecem na fotografia ou nos jornais... mas são, sem dúvida, o nosso suporte.
Estão lá para nos apoiar e defender nas mas variadas situações. Sei que quando a corrida começa estão concentrados em nós e prontos para o que for necessário. Por essa razão tem sido minha preocupação manter uma equipa de assistência estável onde as pessoas se conhecem, sabem estar umas com as outras, sabem o que devem ou não fazer e conseguem ser tolerantes quando o cansaço e o stress começam a causar transtorno. Nestes meus dez anos de Africa Race estou profundamente grata à minha equipa pois eles têm sido a garantia do meu sucesso.
7 - Os preparativos para uma competição como o Africa Race começam meses antes da corrida arrancar. Quais são os principais pontos a ter em conta para um rali desta envergadura no que concerne a preparação.
A minha preparação física e a preparação mecânica do camião são os dois pontos principais. Depois há ainda toda a logística que nesta corrida é bastante elaborada e complicada.
Estas duas pequenas frases incluem meses de muito trabalho, muita dedicação e empenho, muitas dores de cabeça... porque cada um destes aspetos implica um sem número de tarefas.
8- O que é mais difícil para si na preparação do Africa Race?
De tudo o mais difícil é a parte humana. Ou seja, na gestão da equipa está a verdadeira dificuldade. Depois há aquele aspeto enigmático da má sorte... com o qual nos temos confrontado várias vezes ao longo destes dez anos. Quero dizer que há momentos em que nos esforçamos muito para ir numa determinada direção e somos confrontados com todo o tipo de contrariedades sendo que, algumas delas, não têm lógica nem razão de ser... mas que nos impedem de atingir os nossos objetivos.
Assim, no dia da partida para o Africa Race, tenho a sensação de estar a iniciar um período de vida fácil, onde todos os problemas se acabam. Só tenho de conduzir... que é algo de que gosto muito. Nessa altura a minha vida é maravilhosa e sinto que valeu a penas todas as contrariedades vividas até ao momento.
9 - Que preparativos foram feitos para este Africa Race?
Intensifiquei a minha preparação física e acho mais uma vez que estou em forma. No camião conseguimos adaptar as jantes de alumínio, facto que nos vai permitir rolar com os pneus em baixa pressão o que pode ser uma grande ajuda na transposição da areia mole da Mauritânia.
Optámos por uma outra marca de amortecedores uma vez que não conseguimos um bom resultado com a anterior. Estas são as duas grande alterações que fizemos no camião.
10- Qual é o segredo para se manter no mundo da competição durante tantos anos?
O segredo talvez esteja na minha grande vontade de me manter em competição pelo facto de ter objetivos muito ambiciosos e difíceis de atingir. Tenho demorado bastante tempo a atingi-los exatamente por serem extremamente difíceis e porque dispomos de meios muito limitados. O meu progresso tem sido lento, mas muito sólido e por isso consegui chegar ao topo da classificação dos camiões e ser uma candidata ao pódio nas várias corridas em que participo.
autonews.pt @ 21-12-2018 16:36:27
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