Veículos elétricos e impactos na indústria portuguesa de componentes
AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel reflete sobre o tema
Nove em cada dez carros vendidos na União Europeia ainda são equipados com motores de combustão interna, gasolina ou diesel, sendo que a curto prazo estes veículos manter-se-ão dominantes.
autonews.pt @ 27-5-2019 18:19:05
Segundo os dados da Associação dos Construtores Europeus de Automóveis (ACEA), venderam-se em 2018 na União Europeia 15 milhões de carros ligeiros de passageiros.
Diferenciando segundo o tipo de combustível/energia, os carros a gasolina representaram 57% das vendas, os diesel 36%, os veículos híbridos 4%, os veículos elétricos 2% e os veículos movidos a combustíveis alternativos (GPL/NGV/E85) 1%. Ou seja, 9 em 10 carros vendidos na União Europeia em 2018 foram equipados com motores de combustão interna, gasolina ou diesel.
Independentemente dos incentivos dos diferentes governos europeus à aquisição dos veículos elétricos, no curto prazo os veículos com motores de combustão interna (tradicionais ou híbridos) manter-se-ão dominantes.
A evolução do mercado dos veículos elétricos dependerá significativamente de vários fatores: o preço do petróleo, o custo da eletricidade, o preço das viaturas elétricas, a sua autonomia, a disponibilidade de meios (públicos e privados) para carregamento das baterias, a velocidade de carregamento, a aceitação pública deste tipo de mobilidade, a tipologia de veículos a serem colocados no mercado e as normas europeias sobre emissões de CO2 .
A União Europeia, recentemente, aprovou novas normas que limitam as emissões de CO2 para os novos veículos de passageiros. Redução de 15% de emissões de CO2 até 2025 e 37,5% em 2030, por comparação com os limites de emissões permitidas em 2021.
Igualmente se impõe que a partir de 2025, 15% dos novos ligeiros de passageiros tenham emissões baixas ou nulas, pretendendo-se que após 2030 aquela quota suba para 35%.
A resposta aos desafios que esta nova regulamentação traz, terá que ser dada pelos construtores de automóveis e respetiva cadeia de fornecedores, que terão que efetuar um considerável esforço de investimento em novas tecnologias para tornar a mobilidade mais limpa.
A indústria automóvel europeia investe anualmente mais de 50 mil milhões de euros em inovação, o que a torna o principal investidor em Investigação e Desenvolvimento da União Europeia, com um peso relativo de 27% do total do investimento.
A indústria automóvel: construtores e fornecedores, incluindo a cadeia de fornecedores portugueses, está comprometida com as metas de Paris para mitigar os efeitos das alterações climáticas, pretendendo cumpri-las fazendo uso de todo o seu conhecimento e inovação.
Será no entanto um equívoco assumir que o aquecimento global seja causado, principalmente, pelos veículos automóveis, já que globalmente o transporte rodoviário é apenas responsável por cerca de 16% das emissões de CO2 feitas pelo homem. Existem outros importantes contribuintes: fornecimento de energia (44%), indústria e construção (18%), utilização de combustível para outros fins (18%), transporte não rodoviário (4%).
Todas as fontes de emissões de CO2, e não apenas os automóveis, deverão ser otimizadas para se conseguir reduzir o problema.
Assumindo um cenário hipotético e pouco verosímil, conforme acima explicado, que todos os novos veículos passavam de imediato a utilizar exclusivamente motorização elétrica, qual o impacto dessa mudança? A indústria portuguesa de componentes assegura emprego direto a mais de 55.000 pessoas.
Segundo estimativa da AFIA, este cenário radical de 100% de veículos elétricos (não híbridos) levaria ao encerramento de empresas ou à diminuição de volume de produção que resultariam na eliminação de cerca de 4.400 postos de trabalho.
Este cenário é radical, com baixa probabilidade de concretização no curto e médio prazo, o que não quer dizer que deva haver abrandamento dos agentes económicos e políticos, com acrescida responsabilidade do Governo da República, no seguimento da evolução do mercado automóvel, procurando-se vias para transformar a descarbonização dos transportes terrestre numa oportunidade para a nossa indústria e para a sociedade em geral.
A AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel é a associação portuguesa que congrega e representa, nacional e internacionalmente, os fornecedores de componentes para a indústria automóvel.
Esta indústria agrega 235 empresas com sede ou laboração em Portugal, com um volume de emprego direto na ordem das 55.000 pessoas. Fatura 11 mil milhões de Euros por ano, com uma quota de exportação superior a 80%.
Em termos de importância na economia nacional, representa 5% do PIB, 8% do emprego da indústria transformadora e 16% das exportações nacionais de bens.
autonews.pt @ 27-5-2019 18:19:05
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