Proprietários consideram o carro indispensável

Estão dispostos a fazer um esforço financeiro para o manter

Há sinais que fazem crer que um quotidiano com menos viaturas possa estar mais próximo do que parece. No entanto, o automóvel continua a ser o meio de transporte privilegiado, apesar de requerer, cada vez mais, um esforço financeiro. Segundo o estudo do Observador Cetelem Automóvel 2023, 73% dos condutores portugueses não se imaginam a viver sem um carro, apesar de estarem conscientes dos sacrifícios que têm de fazer para a sua manutenção.

autonews.pt @ 10-4-2023 18:07:25

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Sem surpresa, a percentagem de inquiridos que mais valoriza os automóveis é superior nos meios rurais do que nos meios urbanos, no entanto, a diferença é pequena. 77% dos condutores que não se imaginavam sem carro estão nos meios rurais, contra os 70% que vivem em meios urbanos. Também as divergências geracionais são tímidas. 34% das pessoas com menos de 35 anos afirmam que estariam dispostas a deixar de ter uma viatura, contra os 26% das pessoas com mais de 35 anos.

Indispensável hoje, incerto amanhã

Apesar de um bem indispensável, 6 em cada 10 inquiridos portugueses afirmam recear não dispor dos meios necessários para adquirir um carro no futuro. Quase 4 em cada 10 pessoas que não possuem atualmente um automóvel, já o tiveram no passado, sendo algo muito mais visível nos países europeus e ocidentais. Países como Espanha (56%), Estados Unidos (55%), Áustria (52%) e Itália (51%) são onde se observa uma maior percentagem de indivíduos que se encontram nesta situação. Em Portugal, são 39% os portugueses que assumem não ter viatura hoje, apesar de já terem tido no passado.

Os custos associados são as razões mais apontadas para este cenário de “desistência forçada”. 38% dos inquiridos admitem não ter os meios financeiros para serem proprietários de um veículo, 22% revelam que se deve ao elevado custo de uso e 21% apontam o dedo aos custos de aquisição. Além dos custos, 23% assinalam que a rede de transportes públicos disponibilizada é também hoje uma boa alternativa, com os residentes nas cidades a mostrarem-se mais afirmativos neste ponto do que os residentes em meios rurais. Já 20% dos entrevistados referem simplesmente que não se justifica serem proprietários de um carro.

Estaremos a caminhar para um futuro sem automóveis?

Fazendo uma perspetiva relativamente ao passado, vários condutores demonstraram uma certa nostalgia, assumindo que consideram que é mais difícil possuir uma viatura atualmente do que no passado (42vs32%). Em Portugal, quase metade dos inquiridos (46%) concordam com a afirmação de que a dificuldade, hoje, é maior do que era, no entanto, é também o país europeu onde mais inquiridos consideram que atualmente é mais fácil (37% vs 29% da média europeia).

Este cenário de menor circulação de carros (devido essencialmente aos custos e à dificuldade em adquirir um carro nos dias de hoje), é ainda mais preponderante junto da população jovem, com uma diferença de 10% entre os menores de 35 e os maiores de 35 anos (67% vs.57%).

E… se sim, quais as consequências?

Confrontados com um mundo potencialmente sem viaturas, quais seriam as principais preocupações e pensamentos dos condutores? Este estudo dá-nos algumas pistas para o futuro.

Numa primeira leitura, os condutores pensam primeiramente nas dificuldades que os afetaria a título pessoal, antes de considerarem aspetos mais globais.  Em primeiro lugar, com uma média global de 58% e no topo da lista em 15 países, estaria a dificuldade em se deslocarem como gostariam. Depois, o constrangimento de como qualquer deslocação se tornaria mais árdua e, portanto, ter de contar com viagens mais penosas seria a segunda consequência de um mundo sem viaturas para os condutores de 15 países, com uma média global de 47%.

Depois destes dois critérios, os entrevistados abordam outras consequências, mais gerais e, também, mais positivas, nomeadamente no que se refere aos custos e ao impacto ambiental. Alguns consideram que seria positivo ter menos despesas (média global de 23%) e os mais envolvidos com o meio ambiente referem a menor quantidade de emissões nocivas (média global de 20%). Os residentes em áreas rurais e urbanas consideram estas consequências quase pela mesma ordem, sendo a dificuldade em se deslocarem mais pronunciada no mundo rural (17 em 18 países).

autonews.pt @ 10-4-2023 18:07:25


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