Goodyear mostra os 7 passos do processo de criação de um pneu

Fabricar com rigor para a melhor qualidade final

Para uma empresa como a Goodyear, que opera num mercado global, o grande desafio passa pela definição, padronização e implementação dos processos de fabrico necessários para a produção de um pneu em particular, em cada fábrica, com os mesmos padrões de qualidade, oferecendo a mesma performance ao consumidor final.

autonews.pt @ 5-5-2020 18:42:32

Facebook Twitter Pinterest LinkedIn WhatsApp

É assim que a marca segue um conjunto rigoroso de passos que garantem a máxima qualidade final dos seus produtos.

Passo 1: definir os objetivos de desenvolvimento

Antes de ter início o complexo processo de desenvolvimento de um pneu, o qual pode demorar três anos ou mais, a equipa responsável pelo marketing de produto avalia o consumidor e as necessidades dos clientes no segmento em questão. É realizada uma exaustiva pesquisa de mercado em toda a Europa, com a finalidade de definir as expetativas específicas dos consumidores, de identificar as suas preferências nos distintos mercados, e de prever as tendências futuras. Os especialistas em análise de mercado da Goodyear estudam em permanência a indústria automóvel para identificar qualquer oportunidade para novos produtos.

O objetivo desta primeira etapa é estabelecer metas específicas de prestações para o novo produto. Cada tipo de pneu centrar-se-á em distintas caraterísticas de funcionamento, como eficiência de combustível, aderência sobre piso molhado e seco, resistência ao aquaplaning ou estabilidade a alta velocidade, entre outras. Por norma, a equipa de marketing de produto disponibiliza à equipa de I&D até 15 objetivos de performance diferentes para a gama de pneus de máximo rendimento. Durante o processo de desenvolvimento, a Goodyear tem em conta mais de 50 critérios ao desenvolver um novo pneu.

Passo 2: o papel dos designers


Os designers estão presentes desde o protótipo inicial, passando pelo desenvolvimento, até à comunicação visual do produto final.

Existem dois tipos de designers de pneus que tomam parte no processo de desenvolvimento do pneu. O designer criativo, que se centra na aparência da banda de rolamento e dos flancos; e o designer técnico, que se centra unicamente nos efeitos de um desenho específico sobre a performance.

O designer criativo tem em conta as expetativas do consumidor, a marca, as necessidades do produto e os aspetos estéticos em geral. O designer técnico é responsável pelo desenho da banda de rolamento, que, com todos os seus blocos, sulcos e canais, tem um impacto direto em critérios importantes de performance, como a aderência, a resistência ao aquaplaning, o comportamento e o nível de ruído. 

O design pode marcar a diferença na escolha do cliente entre um pneu e outro. Tal acontece de forma especial no caso de marcas premium, de pneus de altas prestações, de pneus de tuning e de pneus de competição.

Para que um desenho tenha êxito deve oferecer as seguintes vantagens:

Design técnico funcional:


O desenho segue a funcionalidade. A performance do pneu é o critério mais importante para a Goodyear e, por isso, o desenho tem que ser funcional e de contribuir de forma eficaz para alcançar os objetivos globais de performance do pneu. Para cada pneu desenhado existirão diferentes objetivos de prestações.

Comunicação de reforço das prestações:

Um desenho que reforça a perceção de que terá o desempenho esperado na aplicação para que foi concebido marca pontos na mente do consumidor. Um pneu de inverno pode expressar, através da sua aparência, que terá aderência na neve, e um pneu de baixa resistência pode representar eficiência e ecologia.

Perceção de qualidade melhorada:

Um produto de primeira qualidade necessita de um design homogéneo, que englobe o produto na totalidade, e um superior nível de detalhes no desenho da banda de rolamento do pneu. O desenho, e respetivos pormenores, desempenham um papel decisivo na aparência final do produto e definem o que o cliente percebe e sente sobre um produto.

Diferenciação incrementada do produto:

Serão aplicados desenhos e caraterísticas diferentes em produtos de marcas distintas, que circularão através de todas as suas comunicações de marketing de produto. Tal garante uma imagem coerente entre os produtos de uma mesma marca.

Passo 3 – A estrutura: reforço e estabilidade são determinantes


A estrutura de um pneu é fundamental para as suas prestações, e existem muitas variações determinantes no processo de fabrico. Tal implica a utilização de vários compostos e materiais de reforço diferentes, como aço, poliéster ou fibras de aramida.

Atualmente, os pneus do tipo radial são os mais fabricados a nível global, embora os diagonais ainda sejam produzidos para determinadas aplicações. No fabrico de um pneu radial são utilizados cordões de aço entrelaçados, que se estendem do talão a todo o pneu, de modo a que os cordões sejam colocados aproximadamente em ângulo reto com a linha central da banda de rolamento, e paralelos entre si. Entre as vantagens desta estrutura incluem-se o prolongamento da vida da banda de rolamento, um melhor controlo e níveis mais baixos de resistência ao rolamento, logo, maior poupança de combustível.

O processo de fabrico da carcaça é muito importante no que às prestações globais do pneu diz respeito, uma vez que pode influir em muitas caraterísticas de performance, incluindo o equilíbrio do pneu, a sua robustez e resistência a alta velocidade e em curva, a aderência, a carga e a resistência ao rolamento, a distância de travagem e o desgaste do piso.

Passo 4: o composto e a arte da mistura


A criação do composto de um pneu consiste em reunir todos os ingredientes necessários para misturar um lote de composto de borracha. Cada componente possui uma combinação diferente de ingredientes, de acordo com as propriedades necessárias para esse componente. Pode comparar-se com um chef que combina os ingredientes de uma receita de forma a que as subtis variações na mistura dos mesmos possam levar a resultados muito diferentes.

Todas as áreas determinantes do pneu contêm diferentes compostos, e cada composto diferentes ingredientes. Por exemplo, para manter o ar de um pneu, a capa interior utiliza diferentes compostos no flanco, para garantir a estabilidade, e diferentes compostos na banda de rolamento, para assegurar outras caraterísticas, como a aderência e o comportamento. Um pneu de turismo é fabricado com até 25 componentes distintos, e contém mais de 15 compostos diferentes. Um engenheiro utiliza mais de 100 materiais diferentes para desenvolver os seus compostos.

A mistura é o processo de transformar os ingredientes numa substância homogénea através de um trabalho mecânico. Podem ser necessárias até sete etapas para garantir que os ingredientes são incorporados na ordem desejada.

Existem diferentes tipos de ingredientes, para compostos que incluem borrachas naturais e sintéticas, destinados a assegurar elasticidade e aderência: o negro de carbono, que constitui uma elevada percentagem do composto de borracha, proporcionando reforço e resistência à abrasão, e o enxofre, para cruzar as moléculas de borracha no processo de vulcanização. Nos pneus de alta performance, a sílica é utilizada em detrimento do negro de carbono, para garantir uma baixa resistência ao rolamento e uma excelente aderência sobre superfícies molhadas.

Passo 5: fabricar o protótipo

Uma vez tenham sido definidos os componentes, os compostos, os materiais específicos e o desenho da banda de rolamento, procede-se ao fabrico dos pneus protótipo, para que seja possível testá-los em laboratórios de ensaio e em veículos. A equipa trabalha em estreita colaboração com o departamento de avaliação de pneus, para que os protótipos possam ser postos à prova num amplo programa de testes, e os resultados possam ser enviados de volta à equipa de I&D.

Existem diferentes formas de fabricar um pneu protótipo para fins de teste. O desenho da banda de rolamento pode ser talhado a laser diretamente dentro do pneu protótipo fabricado, que, nesta etapa, possui uma superfície de banda de rolamento, literalmente, lisa. Esta tecnologia permite aos engenheiros fabricarem um pneu destinado a testes sem ter que seja necessário conceber um molde completo, cujo processo é complexo e dispendioso. Numa etapa mais avançada do processo de desenvolvimento, é fabricado um molde que permite à equipa testar o novo pneu na sua plenitude.

Os pneus protótipo são construídos à mão e fabricados em instalações, no caso da Goodyear, no Centro de Inovação da Goodyear no Luxemburgo (GICL). Os componentes são montados num tambor com uma ordem específica e ajustes pré-definidos. O produto final deste processo denomina-se pneu verde, alusão ao seu estado ainda sem vulcanização. Este pneu verde é vulcanizado num molde específico, instalado numa prensa de vulcanização. Posteriormente, o pneu vulcanizado é inspecionado a fundo e enviado para o departamento de testes.

Passo 6: avaliação do pneu. Milhões de quilómetros percorridos

Mais de 270 pilotos de testes da Goodyear, juntamente com engenheiros e técnicos de 12 diferentes nacionalidades, superam 100 milhões de quilómetros de testes todos os anos, garantindo que os nossos pneus estão a ser testados de uma ponta à outra do planeta, 24 horas por dia.

Durante a fase de desenvolvimento de produto, os pneus da empresa são submetidos a rigorosos testes, tanto nos tambores de laboratório como em pista. Enquanto que a nova etiqueta europeia de pneu tem em conta três critérios – resistência ao rolamento, aderência sobre piso molhado e ruído exterior –, a Goodyear testa um pneu mais de cinquenta diferentes critérios.

Os pneus para necessidades específicas requerem testes adicionais, como é o caso dos testes dos pneus de inverno sobre neve, granizo e gelo, realizados a muito baixas temperaturas nas instalações da Finlândia, Suécia, Suíça e Nova Zelândia. Estes testes específicos foram desenvolvidos com a finalidade de serem utilizados também em pneus comerciais, como os pneus para camiões e os pneus agrícolas.

Todos os resultados dos testes de pneus são comunicados à equipa de I&D, que tratará de melhorar as áreas específicas destacadas pelo departamento de avaliação de pneus.

Passo 7: industrialização e produção

O processo de industrialização tem como objetivo a criação de infraestruturas de produção, de processos e de equipas para garantir o êxito do lançamento de um novo produto ao nível da produção em massa.

Uma vez estabelecidos os objetivos de marketing iniciais, e completada a fase de verificação do protótipo, o produto inicia uma fase de extrapolação de linha. As novas especificações são aplicadas a todo o leque de medidas, e, na fábrica, são efetuados testes individuais de qualificação.

Um pneu não é uma peça uniforme de borracha. Pelo contrário, é fabricado a partir de entre 10 a 20 componentes com diferentes propriedades. O próprio processo de fabrico é uma sucessão de diferentes passos, com operações muito específicas.

Uma máquina de montagem reúne todos os componentes, e o processo de vulcanização no molde confere a forma definitiva e as propriedades materiais finais do pneu. Uma vez terminado o processo, os pneus passam por uma série de inspeções e testes, para verificar o cumprimento dos padrões de qualidade estabelecidos.

autonews.pt @ 5-5-2020 18:42:32


Clique aqui para ver mais sobre: Auto News, Mercado Automóvel e Novidades


Facebook Twitter Pinterest LinkedIn WhatsApp