A Tesla reduziu os preços dos seus modelos ... e foi uma surpresa...?

Talvez não.

A efetivação da promessa feita anteriormente acabou por ser um pequena surpresa, pois em bastidores diz-se que a Tesla não consegue atualmente produzir o seu Model 3 abaixo dos 38 mil dólares ou seja estaria a perder 3 mil dólares por cada carro vendido. Acrescenta a marca no seu site o carro encomendado fica disponível no cliente em 2 a 3 semanas. 

autonews.pt @ 4-3-2019 14:01:08

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Naturalmente as coisas estranhas têm sempre uma explicação: a empresa anunciou cortes de custos da sua estrutura no mercado americano, designadamente assumindo que este modelo apenas estará disponível para encomenda on-line e assim saindo  do (mais caro) modelo tradicional de concessionários e stands de exposição geograficamente densos. 

Possivelmente, também nos restantes modelos a venda também deverá ser centrada no on-line, pois a marca assumiu que irá fechar muitos dos seus stands, mantendo apenas centros de assistência e locais essenciais de exposição, informação e experimentação. Em Portugal a marca está presente fisicamente junto do grande público em dois locais nas cidades de Lisboa e Porto. 

Do ponto de vista do consumidor a compra on-line até poderia ser uma desvantagem, pois faltaria o sempre desejado e recomendado “test-drive”, que todos gostamos de fazer. Mas a Tesla também pensou nisso, e o comprador tem a possibilidade de adquirir o carro on-line e experimentá-lo durante uma semana ou em alternativa percorrer 1600 km (o que se verificar primeiro) e devolvê-lo caso não esteja satisfeito.

Ainda nos EUA, a marca já havia efetuado um corte significativo da sua força laboral no mês de Janeiro de 2019.

Adicionalmente e ainda relativamente ao Model 3 Standard Range as cores de base são... o preto ... e as restantes cores têm custos adicionais além de terem sido feitas outras otimizações como no conforto, não sendo incluído no preço de base a opção de bancos elétricos, mas diz a marca que o modelo se mantém como uma oferta com um “interior premium”, com o preço de base com teto amplo em vidro. 

Possivelmente também no software disponível de base nos vários modelos, devem ser feitos ajustamentos de preço que eventualmente podem compensar o fabricante parcialmente, com algumas opções mais avançadas de software a contribuir para subir o preço médio dos modelos efetivamente comercializados.

Ainda no produto, e como estamos a falar do mercado americano, é importante lembrar que a Tesla e a GM esgotaram o seu plafond de ajudas estatais a modelos elétricos, pois venderam mais de 200 mil automóveis. E esta ajuda era de 7500 dólares que o estado americano atribuía por cada aquisição deste tipo de carro, um valor significativamente importante no caso do Model 3 e que justifica de forma significativa este movimento comercial da Tesla. A escolha parece binária: vender mais a um preço mais baixo, ou vender menos a um preço mais alto.

Contudo na jornada de aquisição de um novo automóvel naturalmente que se estabelece uma comparação com a concorrência equivalente em características e preços, e esta descida de valor e a autonomia disponível anunciada, colocam o Model 3 a par com o Nissan Leaf e o Chevy Volt no mercado americano. Ainda interessante, mas com um brilho diferente a Hyundai também tem o seu Kauai, tecnologicamente equilibrado e  autonomia semelhante ou até superior.

Sobre a escolha do momento em que é feito este anúncio por parte da Tesla, a movimentação da Volvo através do Polestar 2 poderá ter sido um dos “gatilhos” para a decisão, sendo que nesta segunda-feira inicia-se o Salão Automóvel de Genebra, o qual pelo que já foi anunciado virá com muitas “novidades elétricas” por parte dos fabricantes automóveis já estabelecidos. 

Algumas linhas efetivas de uma família de modelos elétricos já anunciadas por parte da BMW, Mercedes e Audi para ficarem disponíveis muito em breve e a acreditar nos preços anunciados até poderão ser interessantes quando comparados com o Model S e X... apesar de a autonomia e avanço tecnológico da Tesla nos modelos elétricos serem reconhecido por todos, mesmo a concorrência. Já relativamente ao Model 3, tudo indica que o grupo VW e os grupos franceses também terão uma palavra a dizer muito em breve.

E pelo meio ainda não podemos esquecer o facto de os híbridos elétricos e Plug-ins ainda não terem feito a sua entrada em força. 

Na verdade estamos a testemunhar uma mudança de paradigma na indústria automóvel, com modelos de negócio diferentes e por enquanto pouco claros para os fabricantes e até para o consumidor que também está a aprender a comprar de uma “forma diferente”. A única certeza que poderemos ter é que se aproximam momentos interessantes na indústria automóvel, que no final podem significar ganhos para o consumidor.

autonews.pt @ 4-3-2019 14:01:08


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