Miura 1º com V12 montado posição central traseira transversal

A história antes do lançamento do futuro híbrido em 2023

Em 1966, o motor V12 da Lamborghini estabeleceu-se firmemente como uma lenda da história do automóvel quando foi montado transversalmente em posição central no Miura P400: o veículo para o qual o termo “superdesportivo” foi cunhado.

autonews.pt @ 2-6-2022 12:28:22

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Tudo gira em torno do Miura no último capítulo da história do V12, o qual animou automóveis emblemáticos durante praticamente 60 anos, e tornou-se numa súmula dos alicerces do ADN da Lamborghini: inovação tecnológica, visão e perícia em termos de engenharia. 2022 é o ano do último puro motor V12 de combustão interna da Lamborghini.

Montado no Aventador Ultimae, encerra uma era gloriosa, antes da chegada do primeiro modelo híbrido de produção em série em 2023, que marcará o início do processo de hibridização na Lamborghini.

Menos de dois anos depois de a Lamborghini ter sido fundada, em 1963, a empresa de Sant’Agata Bolognese era ainda pequena, mas tinha logrado estabelecer-se de forma sólida no topo do delicado mercado grand tourer, e o 350 GT estava a ser fabricado de forma consistente. Ferruccio Lamborghini estava satisfeito, porque tinha triunfado no seu próprio desafio técnico, não obstante o amplamente difundido ceticismo inicial. Todavia, sonhava em produzir um automóvel ainda mais deslumbrante, capaz de suster ainda mais a respiração de todos. E foi justamente isso que aconteceu.

A cuidar do lado técnico das coisas estavam os jovens engenheiros Giampaolo Dallara e Paolo Stanzani, que eram, então, os responsáveis pelo desenvolvimento e produção da Automobili Lamborghini. Grande parte do sucesso do Miura devia-se – e continua a dever-se – ao seu excecional motor: um V12 a 60° de 4,0 litros, com quatro carburadores Weber 40 IDL 3L, que debitava uma potência máxima de 350 cv, 370 cv e 380 cv, nos modelos P400, P400S e P400 SV, respetivamente.

Tal era suficiente para fazer deste o mais potente automóvel de estrada do mundo dessa época. O notável design da autoria da Carrozeria Bertone fez o resto, e o Miura alcançou vendas sem precedentes para um veículo da Lamborghini. A previsão inicial era de 50 unidades vendidas em três anos, mas, no final, o número total alcançou 763 exemplares em sete anos, entre 1966 e 1973.


Engenheiro Paolo Stanzani: um elemento fundamental do motor Lamborghini V12

O engenheiro Paolo Stanzani (1936-2017) foi uma das primeiras pessoas a serem contratadas por Ferruccio Lamborghini. Nomeado logo após ter-se licenciado pela Universidade de Modena, viria a tornar-se num dos mais importantes elementos da história do motor V12 e do Miura.

Stanzani foi quem tomou conta do motor V12 concebido pelo engenheiro Giotto Bizzarrini, e o tornou adequado para a produção em série e para uma utilização em estrada. Adicionalmente, Stanzani fez parte do pequeno grupo de jovens talentos que desenvolveram e criaram o Miura e os seus inovadores atributos técnicos. Desempenhou diversos papéis na Lamborghini, de Diretor Técnico e Responsável de Produção a Diretor Geral. Tal como aconteceu com o Miura, deu contributos fundamentais para a produção do Countach, do Espada e do Uraco, o último dos quais era o seu preferido.

O Miura era uma verdadeira estrela, cujo emblemático apelo residia não só no seu visual, mas também no seu “cantar”

Logo que foi apresentado, o Miura tornou-se no automóvel mais procurado pelos realizadores de cinema. Fez a sua aparição em nada menos do que 43 filmes, muitas vezes num papel de protagonista. Um dos mais célebres é, inquestionavelmente, “Um Golpe em Itália”, de 1969. Com uma duração superior a três minutos, a sequência de abertura é dedicada a Rossano Brazzi, a conduzir um Miura P400, enquanto Matt Monro canta “On Days Like This”. O V12 em aceleração pode ser ouvido na sonoridade de fundo da sequência, tendo conquistado o estatuto de culto no mundo dos filmes com automóveis.

O Miura foi a estrela das capas de dezenas revistas de automóveis e de outras publicações. A sua primeira aparição num artigo internacional ocorreu em novembro de 1966. A peça em questão foi publicada da revista semanal Autocar, da autoria de Paul Frére, o piloto belga que se tornou jornalista. Não restando dúvidas de que o artigo mais reconhecido foi o escrito pelo jornalista inglês Leonard “LJK” Setright para a revista mensal britânica CAR. Dividido em duas partes, descrevia as delícias de uma viagem de Sant’Agata Bolognese a Londres a bordo de um Miura P400.

Criar uma lista completa das personalidades que possuíram um Miura ao longo dos anos é uma tarefa árdua. Por exemplo, Little Tony e Rod Stewart tiveram ambos mais do que um; Eddie Van Halen manteve o seu por mais de 30 anos; e Jay Kay, dos Jamiroquai, ainda hoje detém o seu. Outros exemplos de notáveis possuidores do Miura são o ator Peter Sellers; a modelo Twiggy; os cantores Johnny Halliday (que fez capa dos jornais quando embateu com o seu P400 contra uma árvore) e Elton John; a cantora de ópera Grace Bumbry; o músico de jazz Miles Davis; o piloto Jean-Pierre Beltoise; e, finalmente, o Xá do Irão, que possuiu inúmeros Miura, incluindo um dos apenas quatro SVJ que alguma vez foram fabricados.

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