AFIA 10º Encontro da Indústria Automóvel reuniu 200 empresários

Análise das tendências do futuro no setor

A enfrentar tempos difíceis, este encontro serviu para se fazer uma análise das tendências da mobilidade do futuro, sendo também um momento importante para ouvir os testemunhos, problemas e possíveis estratégias que os empresários tiveram interesse em partilhar para ultrapassar dificuldades e encontrar soluções estratégicas para um futuro que é já amanhã.

autonews.pt @ 25-11-2021 17:09:44

José Couto, presidente da AFIA abriu a sessão dando nota das principais preocupações do setor e das dificuldades que as empresas estão a enfrentar. Para o presidente da AFIA a indústria automóvel sofre com a atual conjuntura, agravada ainda pela subida dos preços dos combustíveis e dos custos logísticos que afetam significativamente este setor.

É importante conseguirmos «apoiar as nossas empresas e chamar a atenção do governo para os problemas e dificuldades que esta indústria enfrenta», refere José Couto, presidente da AFIA.

No seu discurso de abertura, José Couto alertou ainda para o facto de termos empresas que «têm que encolher capacidade de produção, desfazer-se de recursos humanos, procurar financiamento para honrar compromissos…» É por isso, mais do que urgente «apoiar as empresas, impedindo-as de perder ativos e competências que foram capazes de acumular durante anos e que nos diferenciam junto dos nossos clientes».

Após a intervenção de José Couto, Pedro Pêga, da direção da AFIA fez uma breve caracterização da indústria de componentes automóveis, que «tem revelado um desempenho acima da produção automóvel na Europa». De acordo com os dados apresentados por Pedro Pêga, o setor emprega diretamente 62 mil pessoas distribuídas por 350 empresas.

Entre 2015 e 2019 esta indústria cresceu a uma taxa de 8,1% ao ano, o que compara com um crescimento médio anual de apenas +0,1% da produção automóvel na Europa. Pedro Pêga refere ainda que 98% dos modelos automóveis produzidos na Europa tem componentes Made in Portugal. «A performance em 2020 e 2021 continua a evidenciar a competitividade e resiliência da Indústria de Componentes Automóveis», acrescenta.

Numa visão mais internacional, seguiu-se a intervenção de Thorsten Muschal, presidente da CLEPA (Associação Europeia de Fornecedores Automóveis), que reúne mais de 120 fornecedores globais de peças, sistemas e módulos de automóveis e 20 associações comerciais nacionais e europeias do setor. De acordo com Thorsten, o setor está a mudar e esta transformação traduz-se numa reestruturação e qualificação da força de trabalho, numa aposta constante na inovação e no encontro de combustíveis alternativos.


Da AICEP, Francisca Guedes de Oliveira mostrou-se otimista, pois «apesar da pandemia, em 2021 já se sente alguma retoma positiva». No que se refere ao setor dos componentes automóveis, Francisca Guedes de Oliveira destaca «a competitividade das empresas portuguesas no setor automóvel (…). Agora vale a pena ir mais longe e diversificar os mercados de destino das exportações do setor», acrescenta. Em cada 100 carros produzidos na Europa, 98 têm componentes fabricados em Portugal.

Mais uma vez destaca-se o fator “talento”. Para a Administradora-Executiva da AICEP «Portugal deve continuar a apostar nas vantagens competitivas do País, destacando o fator “talento”, pois não sofreram alterações significativas, apesar da pandemia. O Setor Automóvel aliado à Mobilidade do Futuro está entre os setores prioritários para captar investimento», destaca.

Após uma breve pausa, seguiu-se o primeiro painel, subordinado ao tema “Macrotendências da indústria automóvel”, com a participação de Nelson Fontainhas da Deloitte, Jorge Rosa do Mobinov e moderação de Pedro Ramalho, da AFIA.

Transformação Digital, transição energética e Covid-19 são as três principais macrotendências para o setor da indústria automóvel e largamente abordado neste dia. Para Nelson Fontainhas a transformação digital tem impactado não apenas a indústria automóvel mas também todos os setores da sociedade. Na realidade, a «indústria 4.0 serve de motor à digitalização da indústria e acompanhamento das tendências tecnológicas».

A transformação digital é essencial para a competitividade do setor, mas requer elevados níveis de investimento nas oportunidades certas. No que se refere à transição energética, esta irá exigir alterações estratégicas das empresas e a consequente adaptação dos produtos dos fornecedores. «Em resposta às novas dinâmicas, as empresas devem rever o seu portefólio de produtos e reposicionar-se para tirar vantagem dos segmentos mais atrativos, o que implica a atração de novos talentos e capacidades nestas áreas», refere. Finalmente, e apesar das dificuldades que a pandemia trouxe à indústria automóvel «com uma queda abrupta da procura, esta veio acelerar algumas tendências emergentes. Por outro lado, os constrangimentos criados a nível de capital terão um grande impacto nas empresas mais frágeis», alerta Nelson Fontainhas da Deloitte.

Da parte da tarde, foi altura de ouvir testemunhos e conhecer os principais desafios empresariais de algumas das empresas do setor. Hugo Silva, da BorgWarner, João Brandão da ERT Têxtil, Luís Febra, da Maxiplás e Filipe Moutinho da Sodecia moderados por Jorge Castro mostraram-se de acordo no que se refere ao caminho a seguir nesta altura. Apesar das incertezas é na aposta na inovação e desenvolvimento de novos produtos, na sustentabilidade energética e na qualificação de recursos humanos que vai assentar a retoma do setor.

A terminar as intervenções, Nuno Mangas presidente do Compete veio reforçar as conclusões ouvidas durante o dia, e a intenção de continuar a encontrar soluções e incentivos à promoção da competitividade e da internacionalização das nossas empresas, agora com a entrada do compete 2030.

No final de todas as intervenções, José Couto estava satisfeito com os trabalhos. Para o presidente da AFIA «o que é importante aqui é perceber exatamente quais são os desafios em termos de futuro para a indústria de componentes automóveis e como é que vamos reagir, que tipo de investimentos temos de fazer. O futuro é já amanhã e é importante percebermos que estamos todos no mesmo caminho, e a trabalhar nos três eixos aqui definidos – desenvolvimento tecnológico, transição ambiental mas, também, muito importante na qualificação profissional».

Este encontro serviu também, e uma vez mais, para chamar a atenção para a instabilidade na indústria de componentes e para a necessidade urgente de apoios, para que não percam a sua capacidade competitiva.

O Encontro da AFIA foi apoiado por: AGI, BANCO BPI, ENI, HAYS, OPCO, RANGEL e TRUMPF.

autonews.pt @ 25-11-2021 17:09:44

Galeria de fotos


Clique aqui para ver mais sobre: Auto News, Mercado Automóvel e Novidades