Nissan LEAF alimenta a rede elétrica com 109MWh nos Açores
Com veículos Nissan LEAF e-NV200
A integração de automóveis elétricos em redes de energia tem sido objeto de vários estudos na Europa e no Mundo, especialmente desde 2013, altura em que a Nissan foi pioneira ao oferecer de série em todos os seus automóveis a tecnologia V2G (Vehicle-to-Grid, ou seja, do Automóvel para a Rede), com resultados convincentes.
autonews.pt @ 25-2-2022 12:03:15
Há dois anos, Nissan, Galp e EDA decidiram aplicar o conceito na rede de abastecimento público da ilha de S. Miguel, nos Açores. O objetivo: estudar o impacto que a integração de 10 LEAF e e-NV200 teria na eficiência daquela rede, nos próprios automóveis e nas emissões de gases de estufa. Ao projeto juntaram-se diversos provedores de serviços e parceiros estratégicos, nomeadamente a Nuvve, o INESC-TEC, a DGEG, a ERSE e o Governo dos Açores, através da Direção Regional de Energia.
Durante as 90 semanas do projeto V2G Açores, as baterias de uma frota de 10 Nissan LEAF e e-NV200 permitiram injetar na rede elétrica da ilha de São Miguel, nos Açores, energia suficiente para alimentar diariamente 32 residências açorianas.
Este foi um dos resultados mais visíveis do projeto piloto que testou com sucesso a inovadora tecnologia Vehicle-to-Grid (V2G), que permite que os automóveis elétricos possam também fornecer energia à rede elétrica quando estão estacionados.
Com uma lógica descentralizada de fluxos bidirecionais, a tecnologia V2G permite que um automóvel elétrico seja um elo ativo na gestão da rede elétrica, regularizando a oferta e procura ao armazenar energia durante a noite – quando a produção de renováveis não tem aplicação direta – e fornecendo-a à rede durante o dia. E, simultaneamente, possa constituir-se uma fonte de receita para os seus proprietários ao carregar a bateria quando o preço da energia elétrica é mais barato e fornecendo energia da bateria para a rede elétrica ou para autoconsumo, nos períodos em que o preço da energia é mais alto.
Os dados obtidos corroboram os pressupostos deste projeto piloto. Os sete Nissan LEAF, e três e-NV200, todos com baterias de 40kWh, abasteceram um total de 198MWh ao longo das 90 semanas do projeto, tendo devolvido à rede 109MWh (55%). Para os 126.000 quilómetros percorridos durante o projeto, consumiram 19,5MWh, o que se traduz num consumo médio de 154,76Wh/km, cerca de 9% abaixo do anunciado segundo a norma WLTP para o LEAF com bateria de 40kWh e -23% em relação ao consumo WLTP para a e-NV200. Isto significa que para percorrerem os 126 mil quilómetros, os Nissan 100% elétricos apenas necessitaram de 9,8% da capacidade total das suas baterias.
Apesar das cargas e descargas diárias associados à utilização de V2G, o SoH (“Estado de Saúde” em tradução livre, medida em relação à capacidade total inicial das baterias) médio de 91,81% o que, extrapolando linearmente, se traduziria em 11,4% de perda de capacidade aos 180.000km, muito abaixo dos 20% que a Nissan estipula nas suas condições de garantia. Vinte por cento esses que seriam atingidos apenas aos 315 mil quilómetros, o que corrobora mais uma vez a qualidade e longevidade das baterias da Nissan, mesmo em condições de utilização mais exigentes que as normais.
Após os resultados encorajadores deste projeto piloto, para que o V2G seja economicamente válido para o utilizador é necessário desenvolver agora um enquadramento legal/regulatório que permita passar da fase piloto da tecnologia V2G para uma fase de mercado – abrindo assim portas a novos modelos de negócio e novas abordagens para o mercado elétrico nacional – razão pela qual as entidades oficiais nacionais com responsabilidades nesta área se envolveram no projeto.
autonews.pt @ 25-2-2022 12:03:15
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